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Bloco e PCP assinalam convergência nos principais temas políticos

Uma delegação do PCP reuniu com o Bloco de Esquerda para apresentar as conclusões do seu recente congresso.
Reunião entre Bloco de Esquerda e PCP esta quarta-feira em Lisboa.
Reunião entre Bloco de Esquerda e PCP esta quarta-feira em Lisboa.

No final da reunião, que contou com a presença do secretário-geral do PCP e da coordenadora do Bloco, Jerónimo de Sousa afirmou que a convergência de posições entre PCP e Bloco tem sido “afirmada na prática em muitas matérias legislativas”.

Na conferência de imprensa, as perguntas dos jornalistas centraram-se nas negociações em curso na concertação social e na proposta de aumento do salário mínimo nacional. Para o líder do PCP, a principal divergência do seu partido “não é com o Bloco”, mas “em relação ao governo, que apresentou em concertação social uma proposta que em alguns aspetos consideramos negativa, como condicionar o aumento do salário mínimo nacional ao grau de desenvolvimento económico ou o alívio da TSU para o patronato”.

Jerónimo de Sousa criticou ainda que o governo tenha aceite praticamente “todo o caderno reivindicativo das confederações patronais” e defendeu que “a linha de recuperação de direitos e rendimentos dos trabalhadores não pode andar para trás”.

Catarina: “Os patrões não precisam da ajuda dos contribuintes para aumentar o SMN”

Por seu lado, Catarina Martins também destacou a “convergência nos temas mais relevantes da política” por parte do Bloco e do PCP, nomeadamente na “necessidade de construir vínculos laborais que respeitem os trabalhadores do nosso país”.

“Olhando para realidade política que tínhamos há um ano e meio, fazemos um balanço positivo do contributo do Bloco e do PCP para que estejamos a discutir recuperação de rendimentos e direitos e não mais cortes. O país estaria bem diferente se tivéssemos um governo de direita, mas também estaria se houvesse um governo com maioria absoluta do PS”, sublinhou a coordenadora bloquista.

“Bloco e PCP são partidos diferentes, mas toda a gente reconhece a postura convergente e consequente na defesa dos salários, pensões, direitos do trabalho, defesa dos serviços públicos e parar privatizações. Esta convergência é sólida”, prossegiu Catarina, sublinhando também a convergência acerca da restruturação da dívida. “Em 2017 a convergência que temos tanto em questões laborais como em defesa da nossa soberania face às regras do euro será importante”, prevê Catarina.

Sobre o processo de concertação social e aumento do salário mínimo, Catarina Martins afirmou que “está à vista que foi graças ao acordo que fizemos que agora temos o aumento para 557 euros em janeiro. Os patrões têm feito tudo o que podem para bloquear o aumento do salário mínimo, e se ele aumenta foi porque colocámos patamares mínimos no acordo. A posição do Bloco é que já devia estar nos 600 euros há muito tempo”, acrescentou.

Catarina Martins sublinhou também as divergência com o governo sobre algumas condições nas negociações com o patronato. “Não aceitamos que o aumento do salário mínimo esteja condicionado ao crescimento económico. Os patrões não aceitaram aumentar o SMN quando a produtividade e a economia cresceram, não podem vir agora propor isso”, afirmou a coordenadora do Bloco.

A baixa da Taxa Social Única para os patrões é outro dos pontos de divergência com o governo, com a coordenadora do Bloco a considerar que “não há nenhuma razoabilidade para os contribuintes estarem a financiar os patrões para aumentarem o SMN. O aumento do SMN é uma medida básica de distribuição da riqueza num dos países com maior desigualdade”.

“Os patrões não precisam da ajuda dos contribuintes para aumentar o SMN”, defendeu Catarina, contrapondo que “o salário mínimo nacional deve subir e deve ser reativada a negociação coletiva para que as carreiras, salários e profissões em Portugal possam ser valorizados”.

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