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Bloco denuncia perseguição aos toxicodependentes no Porto

João Teixeira Lopes defendeu esta quarta-feira um plano de emergência para responder a esta “urgência humanitária” no Porto e denuncia as “ações punitivas” contra os toxicodependentes na cidade.
João Teixeira Lopes e ativistas da associação CASO querem acabar com o consumo a céu aberto e a persefuição aos toxicodependentes no Porto.

“Enquanto não houver legislação que permita [a criação de] salas de consumo assistido é necessário um plano de emergência”, com apoio médico e de assistência social, afirmou o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto, citado pela agência Lusa.

João Teixeira Lopes escolheu esta “questão de urgência humanitária” para dar início à sua campanha autárquica, após ter substituído João Semedo como primeiro candidato à Câmara Municipal, para mostrar “aquilo que é a inação da autarquia numa matéria que é de urgência social” e que se tem vindo a acentuar, conforme referem o SICAD, as equipas de rua, os ativistas e os próprios consumidores.

Esta “inação da autarquia numa matéria que é de urgência social”, prosseguiu Teixeira Lopes, “mostra também a sujeição de Manuel Pizarro a Rui Moreira”, acrescentou Teixeira Lopes, criticando que o consumo de drogas na cidade continue a ser feito a céu aberto e em edifícios abandonados, tornando-se um foco de perigo para os consumidores e para a saúde pública. “Rui Moreira e Manuel Pizarro tiveram a mesma posição: foram os dois ativos opositores à abertura de salas de consumo assistido no Porto, e são co-responsáveis por esta chaga desumana”, acusou Teixeira Lopes.

Estudo prometido para fevereiro ainda é segredo na autarquia

Teixeira Lopes lembrou ainda que o o relatório sobre os consumos de droga na cidade, prometido pela Câmara para fevereiro, ainda não foi apresentado e debatido.

Nesta ação do candidato bloquista participaram membros da associação CASO – Consumidores Associados Sobrevivem Organizados –, que disseram aos jornalistas ter participado no estudo e que este já está concluído.

Para Teixeira Lopes, existe uma “evidência empírica enorme” sobre as vantagens das salas de consumo assistido, com estudos a comprovar que elas “não só para ajudar na saúde, mas para integrar as pessoas que consomem”.

Perseguição aos consumidores continua no Porto

Nesta ação de campanha, foi ainda denunciada uma perseguição aos toxicodependentes que teve lugar em maio, no viaduto da Renault perto do bairro da Pasteleira. “Houve uma ação punitiva que englobou uma empresa de limpeza [que presta serviço à Câmara do Porto] e forças policiais, de limpeza das pessoas que ali vivam há anos, onde existia consumo”, com recurso “à força bruta”, denunciou o candidato do Bloco, considerando que a situação marca “o regresso do Porto Feliz de Rui Rio: "varrer" e esconder o problema sem o resolver”.

“Isto é o inverso do que se pretende. Queremos salas de consumo assistido na cidade, não queremos que a câmara recuse essas salas e depois admita hipocritamente a existência de salas a céu aberto, e utilize punição, em conluio com forças policiais, nestas investidas”, defendeu Teixeira Lopes.

Entre as medidas que o Bloco apresenta nesta campanha para a autarquia do Porto, está a  aposta na prevenção, “junto de escolas e das comunidades, e fornecer a montante apoio para reinserção, nomeadamente para alojamento”, bem como a criação de um “fórum municipal, onde as várias associações que trabalham com esta matéria possam funcionar em rede, e em que a câmara surja como parceira”, resumiu o candidato.

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