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Bloco de Viseu questiona Câmara de Santa Comba Dão sobre estátuas de Salazar

Num requerimento enviado à Câmara de Santa Comba Dão a distrital do Bloco pede mais informações sobre as estátuas do ditador que a autarquia tem em seu poder e manifesta-se contra a possibilidade de exibição pública destas, considerando essa eventualidade “uma ofensa e um ultraje aos valores da democracia e da liberdade.
Placa de identificação da Avenida Dr. António Oliveira de Salazar em Santa Comba Dão.
Placa de identificação da Avenida Dr. António Oliveira de Salazar em Santa Comba Dão. 2007. Foto de Adriao/wikimedia commons.

A semana passada tornou-se público que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão estabeleceu, em setembro de 2017, um protocolo com a Direcção-Geral do Património Cultural de forma a ficar com duas estátuas de Salazar.

As peças, ambas da autoria do escultor Francisco Franco de Sousa, são uma estátua de bronze com 2,3 metros e um busto em pedra de 500 quilos. Nesse documento, a que o jornal Público teve acesso, não ficava claro a que espaço seriam destinadas as peças até então guardadas no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática mas a autarquia comprometia-se à “criação de condições adequadas à sua conservação e exposição nas instalações da CMSCD”. O autarca do PS, Leonel Gouveia, não esclareceu esse jornal sobre o destino que pretendia dar às estátuas em questão.

Face à possibilidade de alguma destas esculturas passar a estar exposta publicamente no concelho, a distrital de Viseu do Bloco manifestou-se publicamente contra essa possibilidade “que considera uma ofensa e um ultraje aos valores da democracia e da liberdade”

O partido enviou ainda um requerimento à Câmara de forma a poder ter acesso ao protocolo assinado com a Direção Geral do Património Cultural “no intuito de perceber quais os contornos exatos do mesmo”.

A distrital de Viseu do Bloco pensa que a ausência de respostas de Leonel Gouveia contribui “para adensar a atmosfera de desconfiança sobre o processo” e recorda que a posição do atual executivo camarário “já levantou dúvidas noutros momentos”.

Por seu turno, a posição da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda é clara: “não compactua com a reprodução legitimadora do fascismo sob a justificação reducionista de um apressado 'interesse histórico'.” Os dirigentes locais do Bloco são contra qualquer “legitimação e normalização da história do fascismo, da ditadura e do seu ditador”.

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