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Bloco agradece ao português perseguido em Itália por salvar vidas no Mediterrâneo

O ativista Miguel Duarte encontrou-se com Catarina Martins e José Manuel Pureza no parlamento. Bloco exige ao governo que o apoie face à perseguição movida pelo governo da extrema-direita em Itália.
José Manuel Pureza, Miguel Duarte e Catarina Martins. Foto de Paula Nunes.

“Temos de dizer obrigado ao Miguel Duarte e a pessoas como ele que sem ganharem nada vão para o Mediterrâneo salvar vidas. Estão a respeitar as convenções internacionais e a fazer de nós melhores pessoas”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas no final de um encontro com Miguel Duarte.

O jovem ativista português vai ser julgado em Itália com outros nove companheiros que participaram na missão humanitária de salvar vidas no Mediterrâneo em 2016 e 2017. A perseguição a estas missões por parte do governo de extrema-direita resultou num processo judicial que acusa Miguel Duarte e os restantes ativistas de auxílio à imigração ilegal.

Por causa destas perseguições a quem tem salvo vidas, estas missões reduziram-se e “temos tido picos de mortes no Mediterrâneo porque não há ajuda”, lembrou Catarina, concluindo que “o Mediterrâneo é um cemitério a céu aberto e isso deve chocar-nos a todos”.

“O que é preciso dizer a estas pessoas como o Miguel Duarte é “obrigada!””, prosseguiu a coordenadora do Bloco, defendendo que “é preciso que o Estado português tenha uma palavra muito clara de reprovação pelo que está a acontecer neste processo” e que lhe dê “todo o apoio necessário” neste processo que “devia simplesmente acabar, porque é absurdo”.

O deputado José Manuel Pureza questionou o ministro Augusto Santos Silva acerca do acompanhamento desta situação por parte do governo e quanto às diligências que pretende tomar para que os seus direitos sejam respeitados.

No final do encontro, Miguel Duarte explicou aos jornalistas que a sua motivação “era salvar vidas e impedir que as pessoas morressem afogadas, num trabalho sempre feito em coordenação com o governo italiano”.

O ativista confirmou ainda que até agora não teve nenhum contacto com o governo português, mas ficou supreendido por ter recebido “tanta solidariedade por parte de tanta gente”.

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