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Bloco agenda debate de atualidade sobre paraísos fiscais para esta quarta-feira

O líder parlamentar bloquista criticou o que classificou de “gangsterismo financeiro”, que se traduz na “existência de duas realidades paralelas” na sociedade em que “há pessoas que pagam impostos e cumprem as suas obrigações e outros que vivem sem nenhuma obrigação, fazendo as leis à sua medida”.
Foto de Tiago Petinga, Lusa.

Esta terça-feira, Pedro Filipe Soares apresentou, em conferência de imprensa, duas iniciativas legislativas sobre o combate ao enriquecimento injustificado e a criação de uma entidade dedicada exclusivamente ao registo do património dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos.

“Assistimos nos dois últimos dias à queda de uma máscara”, afirmou o dirigente bloquista, lembrando que “muitos dos elementos ligados ao escândalo 'Panama papers' são políticos, entre os quais membros de governos, dirigentes máximos de países, membros da Comissão Europeia” e que foi exposta “a teia de interesses entre aqueles que deveriam defender o interesse público e aqueles que têm interesses privados”.

O líder parlamentar do Bloco defendeu que esta realidade que “tem que merecer alguma consequência”.

Sublinhando que o Bloco é “frontalmente contra todos os offshores”, incluindo o da Madeira, Pedro Filipe Soares alertou que Portugal “tem de evoluir muito na legislação para se proteger a nível do que internacionalmente existe”.

“Não podemos lavar as mãos como Pilates na solução do problema. Não é assim: nem toda a decisão vem lá de fora”, reforçou o dirigente bloquista, acrescentando que, “não sendo tão pernicioso como os outros”, o offshore da Madeira “tem os problemas que outros têm”.

Sobre o debate de atualidade sobre paraísos fiscais agendado para esta quarta-feira, Pedro Filipe Soares afirmou que o mesmo “não será legislativo, mas o Bloco de Esquerda chamará a atenção para a necessidade de não se lavar as mãos como Pilatos face a este problema, porque a pior posição possível é aquela que nos diz que Portugal é um país pequeno e, por isso, toda a decisão é feita lá fora".

O líder parlamentar bloquista lembrou que Portugal "tem uma ‘offshore' a operar e, embora não seja tão perniciosa como outras, tem também muitos dos problemas que outras têm".

"Há dados que indicam a existência de empresas todas sediadas na mesma caixa postal num edifício da Madeira, o que prova bem como aquilo serve para fuga de impostos. E há indícios de organização em cascata de empresas para fugir a todas as responsabilidades", vincou.

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