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Black Friday: trabalhadores da Amazon na Alemanha em greve

Mais de dois mil trabalhadores dos centros de distribuição da Amazon iniciaram esta sexta-feira uma greve que dura até à próxima terça. O dia de maiores lucros de empresa é também o de maior pressão sobre trabalhadores que se queixam de baixos salários e péssimas condições de trabalho que têm causado inúmeras doenças.
Bandeira do sindicato Ver.di que representa os trabalhadores da Amazon. Dortmund, novembro de 2019.
Bandeira do sindicato Ver.di que representa os trabalhadores da Amazon. Dortmund, novembro de 2019.

Para os consumidores é sinónimo de saldos. Para os trabalhadores da Amazon de ainda mais pressão. O Black Friday impôs-se como dia de descontos, apesar de alguns ativistas por todo o mundo denunciarem o consumismo e o desperdício ambiental que estão na base da jogada mercantil.

E este foi o dia escolhido pelos trabalhadores da Amazon na Alemanha para entrarem em greve. Foram mais de dois mil os que paralisaram no primeiro dia de uma greve que durará até à próxima terça-feira, seguindo ela própria o calendário as promoções agressivas.

A greve foi convocada pelo sindicato Ver.di, que conta com mais de dois milhões de sindicalizados no país e que informou que os centros de distribuição de Leipzig, Bad Hersfeld, Koblenz, Rheinberg, Werne e Graben foram os afetados.

O sindicato denuncia a “supressão de direitos básicos” na empresa e a “extrema pressão a que estão sujeitos.” Para o Ver.di, “o trabalho deles não pode ser obtido a preços baixíssimos”. Daí que se pretenda obter um acordo coletivo de trabalho que garanta “um salário digno e bons empregos". A Amazon continua a recusar-se a negociar um acordo coletivo de trabalho. E tem sido criticada por arranjar forma de, tendo lucros milionários, não pagar impostos nos EUA.

Orhan Akman, um dirigente sindical, em declarações à Deutsche Welle, explicou que há “muitos trabalhadores a ficarem doentes” devido à situação laboral da empresa

A data da greve pretende ser um sinal dizem os trabalhadores. Não é aliás a primeira vez que a Black Friday assiste a greves na Amazon. Em anos anteriores houve paralisações também em Espanha e na Grã-Bretanha.Este ano, o sindicato britânico GMB fez uma ronda de concentrações de protesto nos vários armazéns e centros de distribuição da Amazon no país.

E também a Confederação Sindical Internacional aproveitou a data para criticar o modelo de exploração laboral da empresa. Segundo esta estrutura sindical, e apenas na Grã-Bretanha, nos últimos três anos mais de 600 ambulâncias foram chamadas a instalações da Amazon e os inquéritos feitos resultaram em 87% trabalhadores a reportar que têm dores constantes enquanto estão no local de trabalho. O lema adotado foi assim #AmazonWeAreNotRobots, Amazon, não somos robots.

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