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Beatriz Dias quer “derrotar possibilidade de maioria absoluta do PS”

Dez mil casas para habitação a custos controlados, o projeto Carris em cinco minutos e a proposta de gratuitidade nos transportes públicos, os mecanismos necessários para eliminar discriminações foram temas na entrevista da candidata bloquista à autarquia lisboeta à TSF.
Beatriz Gomes Dias. Foto de Ana Mendes.
Beatriz Gomes Dias. Foto de Ana Mendes.

Em entrevista à TSF, esta sexta-feira, a cabeça de lista do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa afirmou que o objetivo do partido é "continuar o que já começou" em termos de trabalho autárquico na capital e que para isso será importante “derrotar a possibilidade de maioria absoluta do PS”. Quer “ter uma força maior” que “implica eleger mais vereadores do que aquilo que temos eleito atualmente”. Até porque pensa que “o trabalho que desenvolvemos, ao longo dos quatro anos, é reconhecido e valorizado”.

Beatriz Gomes Dias faz assim um balanço positivo sobre a participação do partido no executivo camarário da capital. Foi um mandato que “permitiu alterar várias dimensões da política na cidade de Lisboa” e que até teve repercussões nacionais, pensa. A candidata cita os exemplos da redução do preço dos passes, que chegou a todo o país depois de ter sido aplicada por via do acordo assinado pelo Bloco em Lisboa, tal como o da gratuitidade dos manuais escolares.

Localmente, acrescenta outros exemplo: o Bloco alterou “a forma como as refeições nas cantinas escolares eram fornecidos, ou seja, aumentámos a qualidade das refeições” e estas “deixaram de ser servidas em recipientes de plástico, portanto isso reduziu o consumo de plástico”; “demos uma resposta muito robusta às pessoas em situação de sem-abrigo, iniciámos o projeto Housing First”.

Sobre um futuro acordo de governação da cidade, diz que “consoante o resultado que nós tivermos, estamos disponíveis para negociar com o PS um acordo que permita a incorporação de medidas que nós consideramos fundamentais. A força que tivermos nas eleições vai determinar a força que temos nesse acordo que será feito com o PS, caso o PS ganhe as eleições sem maioria”.

E destaca a importância do pelouro da Habitação para esse futuro “porque é aquele aonde estão os problemas mais acentuados da cidade de Lisboa”. O Bloco quer “disponibilizar casas que as pessoas possam pagar” e “recuperar habitantes para a cidade de Lisboa”. Em primeiro lugar, através de “um programa de renda acessível 100% público” que “disponibilize dez mil casas no mandato de quatro anos”. Para além do mais, isto vai permitir “controlar o mercado de arrendamento” baixando os preços.

O partido quer ainda recuperar “o património disperso da Câmara Municipal de Lisboa” para este programa, apostando no seu pilar público que já disponibilizou mil casas em contraponto com “pilar privado que o presidente da câmara e que o PS insistem em manter, que não tem funcionado e que não disponibilizou nenhuma casa”. E também “captar algumas das casas que estão dedicadas ao alojamento local passá-las para este programa de renda acessível”.

Mobilidade: Carris em cinco minutos

Sobre mobilidade, Beatriz Dias defende “a Carris em cinco minutos”, uma “ideia extraordinária que permite a ganhar a confiança das pessoas para o uso do transporte público” para ser implementada em três fases. Uma primeira, com custo de quatro milhões, garante carreiras de bairro gratuitas e gratuitidade para pessoas que estão sem emprego. Uma segunda, com custo de 18 milhões, pretende implementar transportes gratuitos para jovens com menos de 18 anos e para pessoas com mais de 65 anos. E uma terceira que irá estender isto a toda a população. Isto passa ainda por “reforçar a oferta de transporte público” porque “precisamos, urgentemente, de reduzir o número de carros que entram na cidade”.

A candidata defendeu ainda o reforço de vias dedicadas para ciclistas e de zonas de acalmia de trânsito, criando “prioridade para os peões, para as bicicletas, para os transportes públicos”.

Implementar mecanismos para eliminar discriminação

A deputada bloquista também se pronunciou sobre outros aspetos da vida lisboeta. Para ela, “a cidade não implementou, ainda, de uma forma suficiente e robusta, mecanismos para eliminar a discriminação”. Esta “continua ativa e continua a afetar desproporcionalmente as pessoas”.

Desta forma, é preciso “urgentemente” ter “medidas estruturais e transversais para remover os obstáculos que resultam da discriminação étnico-racial do racismo” assim como os preconceitos de género, de identidade de género, de capacidade, de expressão de género, de idade que se associam “a outros fatores que criam desigualdade, como o estatuto socioeconómico, a classe social, somam-se e criam formas específicas de exclusão social”.

As pessoas no centro

O Bloco tem ainda como lema “devolver a cidade às pessoas e colocar as pessoas no centro da política”. A dirigente bloquista pensa que “na cidade de Lisboa as pessoas não têm estado no centro da política – têm estado os negócios”. Destaca a perda de população que esvaziou a cidade. Alfama é um exemplo: “pessoas que viviam em Alfama e cujas casas foram vendidas, que foram despejadas das suas casas, mudaram-se para outros sítios e Alfama ficou quase vazio. É uma das zonas da cidade onde a maioria dos apartamentos estão alocados ao alojamento local”.

Na cidade, “há espaços públicos aonde os empreendimentos são de tal forma caros que estão vazios. Não há pessoas a morar nesses empreendimentos. Muitos deles são especulativos. Portanto, precisamos de transformar tudo esta lógica de construir a cidade, o espaço público deve ser desenhado de modo que possa ser ocupado pelas pessoas, garantir o direito à cidade”.

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