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BCE defende impostos sobre os mais ricos para financiar resposta à crise energética

O economista chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, diz que os governos devem apoiar "os rendimentos e o consumo das famílias e das empresas que estão a sofrer mais” com a crise energética.
Philip Lane. Foto Banco central Europeu

A crise provocada pela subida dos preços da energia está a ter impactos profundos na maioria das economias. Na Zona Euro, muitos governos têm respondido à crise com pacotes de apoio às famílias e às empresas, com medidas diversas e diferentes dimensões. No entanto, nem todos estão a ser afetados pela crise e há alguns setores que têm ganho com a inflação.

O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, defendeu esta semana que os países da Zona Euro devem financiar estas medidas com “impostos mais elevados sobre rendimentos mais elevados ou sobre empresas e setores que continuam a ser bastante lucrativas apesar do choque energético”.

As declarações do economista-chefe do BCE surgem num contexto em que o novo governo do Reino Unido acaba de aprovar uma redução significativa dos impostos sobre o escalão mais alto de rendimentos. A medida, que custará 45 mil milhões de libras, beneficia maioritariamente quem ganhe mais de 150.000 libras por ano. A nova primeira-ministra britânica, Liz Truss, defende que o corte de impostos estimulará o investimento e o crescimento da economia, apesar da evidência histórica mostrar o contrário.

No atual contexto, a Comissão Europeia sugeriu aos Estados-Membros a criação de uma “contribuição de solidariedade” aplicável às grandes empresas de gás e petróleo, além de um teto às receitas dos restantes produtores elétricos, prevendo angariar cerca de 140 mil milhões de euros com as medidas. Em Portugal, apesar das propostas do Bloco, o Governo tem recusado várias vezes medidas semelhantes.

Philip Lane considera que “de um ponto de vista de justiça, mas também de um ponto de vista macroeconómico, os governos devem apoiar os rendimentos e o consumo das famílias e das empresas que estão a sofrer mais” com a crise energética. O economista-chefe do BCE considera que “a grande questão é saber se uma parte desse apoio deve ser financiado por aumentos de impostos sobre os que estão melhor”, colocando-se do lado dos que o defendem, reconhecendo também que “não será possível evitar défices mais altos”.

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