Bancos davam crédito de risco crendo que o Estado pagava

30 de January 2019 - 15:19

Os bancos portugueses contavam com o Estado para lhes cobrir prejuízos. Isso alavancou ainda mais a concessão de créditos de risco a empresas com problemas financeiros, que por sua vez resultava em mais dinheiro a pagar pelos contribuintes. Esta conclusão consta de um estudo divulgado pelo Banco Central Europeu.

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Foto de Paulete Matos

Em causa neste estudo revelado esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias estão sobretudo os anos de 2011 e 2012, o período antes de Autoridade Bancária Europeia (EBA) exigir a capitalização dos bancos nacionais. Nele se pode ler que, com base na expetativa de resgate do governo, os bancos nacionais aproveitavam para “jogar com a sobrevivência de empresas em dificuldades”.

Acresce que, com isto, os bancos não assumiam nos seus balanços o conjunto das perdas com o incumprimento por parte das empresas, avançando com mais créditos. E assim adiavam reconhecer perdas adicionais que lhes custariam mais dinheiro.

E os bancos não estavam errados na sua avaliação. Segundo o Eurostat, entre 2010 e 2017 o Estado assumiu custos de 17,5 mil milhões de euros que deveriam ter sido pagos pela banca. As promessas governamentais de ajuda e as suas concretizações transformaram-se desta forma em “incentivos”.

O campeão das ajudas estatais foi, em 2014, o Novo Banco que, depois do fim do BES, recebeu mais de 5 mil milhões de euros públicos. E este mesmo banco em 2018 voltou a contar com a entrada de dinheiros estatais.