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Banco de Fomento entrega a Mário Ferreira a maior fatia do apoio à capitalização

Mais de metade das verbas já aprovadas do Plano de Recapitalização Estratégica vão para o dono de barcos turísticos e acionista da Media Capital. O Bloco quer mais escrutínio sobre estes fundos e vai chamar a presidência da instituição ao Parlamento.
Mário Ferreira. Foto de José Coelho/Lusa.
Mário Ferreira. Foto de José Coelho/Lusa.

O Bloco de Esquerda anunciou esta terça-feira que irá chamar dirigentes do Banco de Fomento à Assembleia da República depois de ter sido conhecido que as empresas de Mário Ferreira vão receber mais de metade dos cerca de 77 milhões de euros de um fundo que o Estado já disponibilizou para empresas recuperarem da pandemia.

À Lusa, Mariana Mortágua justificou a iniciativa alegando que “deve haver um enorme escrutínio sobre estes fundos” e que “é preciso garantir que as empresas que recebem estes fundos são empresas exemplares do ponto de vista da sua relação fiscal. Não podemos permitir ter empresas que recorrem permanentemente a expedientes como empresas em Malta, por exemplo, para fazer os seus negócios, sendo depois beneficiadas com financiamentos públicos, sejam eles de que forma forem”.

Para além disso, do seu ponto de vista, é ainda “preciso questionar em que tipo de projetos é que estamos a investir o dinheiro do Plano de Recuperação”. Ou seja, “se estamos a investir em projetos industriais, que aumentem a autonomia do país, que diversifiquem a capacidade industrial do país ou, se pelo contrário, estamos a investir em empresários que insistem nestes projetos megalómanos de turismo e de imobiliário, que o país já viu no passado e que já deram muito errado”.

Quem recebe os apoios à capitalização?

O Banco Português de Fomento foi a instituição criada pelo governo para ajudar empresas “de interesse estratégico nacional” a recuperar dos problemas económicos gerados pela pandemia. A sua presidência terá de explicar as razões que fizeram com que 52% do dinheiro já aprovado do “Plano de Recapitalização Estratégica do Fundo de Capitalização e Resiliência”, no valor de 40 milhões de euros, fossem parar na forma de obrigações convertíveis ao patrão da Pluris Investments, que detém 35,38% do grande grupo de comunicação social Media Capital, tendo como finalidade a capitalização da empresas de barcos turísticos Mystic Cruises.

Na passada sexta-feira, a instituição tinha anunciado a aprovação de 12 candidaturas que incluíam outras quatro empresas de turismo, as Viagens Abreu, a Orbitur, a cadeia hoteleira Luna Hotels & Resorts e a Travel Store; quatro industriais, a empresa de moldes MD Group, as de têxteis para automóveis Coindu e ERT Têxtil e a de vestuário Têxtil António Falcão; uma agrícola, a Hubel; uma de produtos alimentares gourmet para cozinheiros profissionais, a Qualhouse, e uma de engenharia, a Enging.

Esta terça-feira, o Público divulgou os detalhes do montante dos apoios com que Mário Ferreira ficou, que constavam numa outra lista onde fica também claro que apenas em dois casos o investimento estatal será acompanhado de investimento privado e que só num, o da Pluris, se excede, e em muito, o limite de apoio definido nas regras como “preferencial” de dez milhões.

Empresário diz que vai pagar juros "bem superiores à média"...

Ao jornal, o empresário disse, contudo, que à entrada de capital público se somará o mesmo valor, 40 milhões, que “serão assegurados por outra via” e que o financiamento “é todo ele reembolsável”, o que será feito com “taxas de juro bem superiores à média das que pagamos em operações junto da banca privada”. Mário Ferreira justifica que o interessante do apoio são os três anos de carência, indo depois o prazo de reembolso até aos dez anos.

Este programa de apoios não fica por aqui. Há mais 323,3 milhões para atribuir até o fim do ano. Só que com regras diferentes. A mais importante das quais será que o financiamento deixa de poder ser feito a 100% pelo Estado. Doravante, os privados terão de entrar pelo menos com 30%.

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