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Bairro 6 de Maio: Moradores exigem fim de despejos

Desalojados do Bairro 6 de Maio, na Amadora, concentraram-se esta segunda-feira junto ao Ministério do Ambiente para exigir uma reunião com vista a solucionar o seu problema de habitação.
Desalojados do Bairro 6 de Maio exigem que o governo ponha fim aos despejos. Foto de esquerda.net
Desalojados do Bairro 6 de Maio exigem que o governo ponha fim aos despejos. Foto de esquerda.net

A presidente da Habita-Associação pelos Direitos à Habitação e à Cidade, Rita Silva, qualificou o problema como uma “emergência social” tendo sublinhado que já foram feitos vários pedidos de reunião aos responsáveis do Ministério do Ambiente que nunca obtiveram qualquer resposta.

Para Rita Silva o reinício das demolições no Bairro 6 de Maio, no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER), terá início a partir desta terça-feira situação que poderá vir a afetar “cerca de 25 famílias que estão numa situação em que já foram despejadas ou  que estão em vias de o ser”.

Durante a concentração, os moradores empunhavam cartazes onde se podia ler “A habitação é um direito”, “Não se implora os direitos, luta-se por eles!”, “A essência dos direitos humanos é o direito de ter direitos! ou “Somos humanos. Temos vida… Temos direitos!”.

Meia hora após a concentração, foi comunicado aos manifestantes que não seriam recebidos, uma vez que a reunião não estava marcada, e que deveria ser solicitado um pedido de reunião.

Apesar desta recusa por parte dos responsáveis ministeriais, os moradores não desmobilizaram mantendo a sua pretensão em serem recebidos, o que levou a que Rita Silva e uma moradora do Bairro 6 de Maio acabassem por ter uma reunião com três elementos do gabinete do secretário de Estado Adjunto e do Ambiente.

"Não vamos desistir"

No final do encontro, a responsável da Habita disse aos jornalistas : “Queremos mostrar que o problema [das demolições] continua a existir, que estas pessoas foram despejadas em outubro e outras vão sê-lo”.

Para Rita Silva, houve igualmente a indicação de que “ainda estão a negociar o OE [Orçamento do Estado] ”, o que para os moradores “é positivo”, tendo em conta as possíveis soluções relativas à habitação social.

“Temos muita expectativa que este OE traga soluções de uma política social de habitação para as pessoas que mais precisam e esperemos que estas pessoas sejam contempladas logo nas primeiras medidas que saírem cá para fora", afirmou Rita Silva, tendo acrescentado que “não vamos desistir enquanto não houver soluções para as pessoas que estão aqui, porque elas precisam desesperadamente de soluções”.

A responsável da Habita fez ainda questão de deixar claro que os moradores desalojados irão continuar a pressionar quer o governo, quer o município da Amadora para que haja uma resposta que permita resolver “este caso de emergência social”.

Para Rita Silva é necessário proceder a uma atualização do Plano Especial de Realojamento (PER), datado de 1993, e ao abrigo do qual a Câmara Municipal da Amadora tem vindo a demolir os 35 núcleos habitacionais  do concelho.

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