You are here

Avenida da Liberdade cumpriu limite anual de dióxido de azoto em 2020

Segundo a associação Zero, o cumprimento acontece pela primeira vez e deve-se ao período de confinamento. Em Porto e Braga, a qualidade do ar não cumpriu os limites anuais. A associação ambiental propõe medidas às Câmaras Municipais.
Avenida da Liberdade, 14 de novembro de 2020 – Foto de António Pedro Santos/Lusa
Avenida da Liberdade, 14 de novembro de 2020 – Foto de António Pedro Santos/Lusa

A associação ambiental Zero divulgou os resultados de uma análise aos dados provisórios das concentrações de dióxido de azoto em várias estações de monitorização de Lisboa, Porto e Braga.

Na Avenida da Liberdade em Lisboa, uma das artérias da capital que “habitualmente apresenta as concentrações mais elevadas e acima do valor-limite anual”, a concentração média anual de dióxido de azoto (NO2) baixou de 54,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em 2019 para 39,6 µg/m³ em 2020, abaixo do valor limite anual de 40 µg/m³.

Na análise destes dados, a Zero conclui, porém, que a descida dos valores abaixo do valor limite anual foi alcançada graças ao confinamento devido à pandemia, não estando o problema resolvido.

“Depois de vários recordes associados a uma excelente qualidade do ar, aquando das medidas mais restritivas de confinamento, onde a redução da concentração de dióxido de azoto na Avenida da Liberdade atingiu 57% (entre 13 de março e 03 de maio) por comparação com a média de 2018-2019 para o mesmo período, seria de esperar que a média anual se reduzisse significativamente, o que viria a acontecer, ficando à beira, mas abaixo do valor-limite”, realçou a análise.

A Zero salienta ainda que, entre setembro e dezembro de 2020, os valores médios mensais foram “sempre superiores ao valor-limite anual”, apesar de representarem uma redução global de 29% em relação ao mesmo período de 2018/19.

“Foi efetivamente o período de maior confinamento que permitiu o cumprimento da legislação, não estando assim os problemas estruturais de poluição pelo tráfego rodoviário resolvido”, conclui a Zero.

Valores-limite de dióxido de azoto cumpridos noutras estações em Lisboa

Segundo a associação, a concentração de NO2 em Lisboa foi analisada também em três estações de monitorização em zonas de tráfego (Avenida da Liberdade, Entrecampos e Santa Cruz de Benfica) e nas estações de fundo urbano (Beato, Olivais e Restelo).

“Da análise sobressai que todas as estações de monitorização cumpriram pela primeira vez os valores-limite deste poluente, em vigor desde 2010, inclusive”, destaca a Zero, apontando ainda que os valores-limite das partículas inaláveis (PM10) “foram cumpridos em todas as estações de monitorização”.

Porto e Braga ultrapassaram valores-limite

Já no Porto (Praça Francisco Sá Carneiro) e em Braga (Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires) os resultados analisados são superiores ao limite anual de 40 µg/m³.

“No caso da estação no Porto, a média anual foi de 66 µg/m³, tendo-se igualmente ultrapassado o número máximo de 18 horas durante o ano com concentrações superiores a 200 µg/m³. Em Braga, o valor da média anual foi de 42 µg/m³”, conclui a associação, que alerta para a eficiência de recolha de dados.

“Uma situação que vemos com bastante preocupação é a eficiência de recolha de dados pelas estações. A legislação exige 90% de eficiência. Na estação da Praça Francisco Sá Carneiro, no Porto, a eficiência foi de 72% e em Braga, na Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires, foi de 61%”, refere a associação.

Propostas da Zero para as Câmaras Municipais

A associação ambiental exige às câmaras municipais medidas para “assegurar a salvaguarda da saúde pública” de quem habita e trabalha nas cidades.

Em relação a Lisboa, a Zero apela “para a capacidade de se implementar de forma progressiva um conjunto de medidas que consigam no futuro garantir o cumprimento da legislação e melhorem a qualidade de vida numa das áreas mais nobres da cidade”.

“A par da construção de ciclovias que tem vindo a ter lugar, é absolutamente crucial que a Câmara Municipal de Lisboa aumente o nível de ambição das Zonas de Emissões Reduzidas e crie a Zona de Emissões Reduzidas (Avenida-Baixa-Chiado) que implica uma forte redução de tráfego e emissões”, refere a associação ambiental.

Em relação a Porto e Braga, a Zero considera que é “fundamental reduzir e/ou regular o tráfego rodoviário nas zonas afetadas por elevados níveis de poluição, limitando a passagem de veículos mais antigos ou avaliando outras medidas que permitam reduzir as concentrações”.

Termos relacionados Ambiente
(...)