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Austeridade serviu “para pagar uma fatura gigantesca pela limpeza dos bancos”

Catarina Martins lamentou que os contribuintes estejam “sempre a pagar os desmandos financeiros de uma elite”. A porta voz do Bloco alertou que, até à data, “a experiência dos bancos maus são experiências que têm pesado muito no erário público”, recusando mais restrições para salvar a banca. Veja neste artigo o vídeo da entrevista.

“A experiência dos bancos maus são experiências que têm pesado muito no erário público e não têm dito nada do ponto de vista do interesse público. Temos pago sem percebermos para quê”, destacou a dirigente bloquista durante a Edição da Manhã da Sic Notícias.

No que respeita ao exemplo do Estado Espanhol, a porta voz do Bloco lembrou que, “se é certo que a banca espanhola tinha um problema e que os bancos privados e os seus acionistas ganharam com o facto de verem os seus bancos limpos com dinheiro público, a verdade é que as regras não mudaram, portanto tudo o que criou a crise pode repetir-se”.

Catarina Martins referiu ainda que “as pessoas viveram a austeridade para pagar uma fatura gigantesca pela limpeza dos bancos” e que “aqueles que são os ativos maus dos bancos são, em muitos casos, crédito à habitação e temos despejos de pessoas que estão a ser empurradas para fora da sua casa”.

“Em Espanha a fatura foi muito pesada para o erário público e para o interesse público, até do ponto de vista social”, destacou.

Segundo a dirigente bloquista, “é preciso que os acionistas assumam perdas do que fizeram, que as regras mudem para que estas situações não voltem a acontecer. É preciso que os bancos não sejam limpos com dinheiro público para que os privados lucrem e continuem a agir da mesma forma. E é preciso avaliar exatamente o que é o lixo tóxico dos bancos e fazê-lo em nome do interesse público e não como é feito até agora, com as mesmas consultoras que se movem no universo da banca que lucram com os próprios negócios que avaliam”.

“A ser criado um veículo para resolver o problema, tem de ser feito sem pesar no erário público, com uma avaliação criteriosa dos ativos que passam para esse veículo ou para esse banco, e imputando perdas a quem criou os buracos”, reforçou.

Catarina Martins lamentou que os contribuintes estejam “sempre a pagar os desmandos financeiros de uma elite”.

Bloco recusa mais restrições para salvar a banca

Acerca do alerta do ministro Mário Centeno sobre as dificuldades que o país ainda enfrenta, a porta voz do Bloco afirmou que "Portugal não está a viver uma situação fácil”, sublinhando que os bloquistas têm “um acordo de maioria parlamentar para ter uma estratégia diferente da que foi seguida nos últimos anos. E que em vez de resolver os problemas só fragilizou mais a economia portuguesa".

"Essa é uma estratégia assente com respeito nos rendimentos do trabalho e em que é preciso criar-se emprego, e aqui temos dito, preciso coragem para fazer investimento público, para que Portugal tenha capacidade produtiva e tenha emprego", avançou.

No que concerne à possibilidade de virem a ser impostas maiores restrições orçamentais, Catarina Martins respondeu que "Portugal está a viver já muitas restrições orçamentais” e que, “se são mais restrições para salvar a banca, talvez seja má ideia. Temos feito assim até agora e sem grande resultado".

“A transparência acima de tudo”

Sobre a contratação, pelo Governo, de Diogo Lacerda Machado, a dirigente bloquista esclareceu que “o problema não é o contrato. O problema é termos pessoas a negociar em nome do Estado e em nome do interesse público sem estarem sujeitas às regras de conflitos de interesses a que estão sujeitos os titulares de cargos políticos”.

“Também não gostámos, e dissemo-lo na atura, que António Borges, sem ser ministro, fosse o homem que negociou privatizações para PSD e CDS sem estar sujeito a essas mesmas regras”, lembrou Catarina Martins, defendendo “a transparência acima de tudo”.

“Só nomes não resolvem problemas. Há regras que têm de ser mudadas”

Relativamente à forma como foi anunciado o nome Elisa Ferreira para o cargo de vice-governadora do Banco de Portugal, Catarina Martins estranhou "o anúncio feito pelo Presidente da República”.

“Seria mais saudável para a democracia se houvesse uma indicação formal", apontou, sublinhando, contudo, que o nome de Elisa Ferreira "merece respeito".

“Só nomes não resolvem problemas. Há regras que têm de ser mudadas”, assinalou.

O Bloco de Esquerda promove esta quinta-feira um colóquio com o título: “Outro banco mau? A experiência de resgate da banca espanhola”, com a participação de Ricardo Cabral, Bruno Estrada e Catarina Martins. O colóquio tem lugar às 17h na Casa Amarela da Assembleia da República. 

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