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Aumento salarial não chegou aos profissionais de saúde, governo fala em "falha informática"

O aumento salarial de 0,3% previsto para este mês não chegou aos recibos de vencimento de médicos, enfermeiros e auxiliares. Deputado bloquista Moisés Ferreira exige um “subsídio de risco e incentivos à exclusividade para combater a necessidade do pluriemprego”.
Profissionais de saúde
Foto de Francisco Àvia_Hospital Clínic de Barcelona/Flickr

De acordo com uma notícia avançada pelo jornal Público, médicos e enfermeiros não estão a receber o aumento de 0,3% que vai começar a ser pago a todos os funcionários públicos em abril.

Os funcionários públicos começaram nesta segunda-feira a receber os salários referentes ao mês de abril, já com os aumentos de 0,3% para a generalidade dos trabalhadores, e de 10 euros para as remunerações inferiores a 700 euros, com retroactivos em Janeiro, como avançou a agência Lusa.

No entanto, os profissionais de saúde, quando verificarem os seus recibos de vencimento irão reparar que o valor inscrito será idêntico aos meses anteriores. A razão invocada pelo Ministério da Saúde é não ter conseguido parametrizar o sistema informático a tempo dos pagamentos deste mês, garantindo que tal só será possível em maio.

Em resposta ao Público, o Ministério não apresenta os motivos desta falha. “O pagamento em Abril depende das circunstâncias concretas de cada área. No Ministério da Saúde não foi possível efectuar a parametrização dos sistemas informáticos no corrente mês. O processamento ocorrerá no próximo mês, com efeitos a Janeiro.”

Neste caso o sistema informático responsável por esta operação é gerido pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, que remete uma justificação para mais tarde.

Questionadas pelo Público, várias organizações sindicais consideraram já esta falha como inaceitável. Emanuel Boieiro, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros diz que é  “inadmissível que quem está na linha da frente do combate à pandemia seja prejudicado”. Também Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses afirma que: “Batem-nos palmas e dizem-nos que somos importantes, mas não nos vão pagar a tempo a miséria de um aumento salarial de dois euros mensais”. 

As estruturas representativas dos médicos falam em “aumento homeopático”, como afirma ao jornal, Noel Carrilho, o novo presidente da Federação Nacional dos Médicos. Já Jorge Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) fala da “incompetência do Ministério da Saúde” que persiste “no erro do distanciamento e na falta de consideração pelos profissionais de Saúde”, ao contrário do que se passa em outros países, afirma.

“Os profissionais de saúde precisam de valorização salarial e profissional e não de recauchutados discursos de austeridade”

O deputado Moisés Ferreira já reagiu a esta falha do ministério. Afirmando que a questão é mais profunda que apenas uma falha informática, o deputado bloquista diz, na sua página de Facebook, que a “epidemia deixou a nu o quão pouco ganham os nossos profissionais de saúde. Aqueles que tantos dizem estar na linha da frente, aqueles a quem tantos dizem agradecer e bater palmas ganham pouco, trabalham muito, estão expostos a riscos acrescidos e desempenham funções insubstituíveis”.

OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE PRECISAM DE VALORIZAÇÃO SALARIAL E PROFISSIONAL E NÃO DE RECAUCHUTADOS DISCURSOS DE...

Publicado por Moisés Ferreira em Terça-feira, 21 de abril de 2020

Moisés insiste na proposta que o Bloco tem apresentado no parlamento, exigindo o direito a estes profissionais de terem um “subsídio de risco e incentivos à exclusividade para combater a necessidade do pluriemprego”.

O deputado acusa ainda PS e PSD de aproveitarem o momento para recuperar o discurso da austeridade.

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