Entre 2004 e 2018, 503 mulheres foram assassinadas em contextos de violência doméstica ou de género segundo o Observatório de Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). Um fenómeno que, apesar de acontecer ao longo de todo o ano, tem picos sazonais. É isso que explica Elisabete Brasil, dirigente deste organismo, ao jornal Público. Um destes picos costuma acontecer nos meses das férias de verão porque “as pessoas passam mais tempo juntas e há uma agudização das situações”.
O mesmo assinala Manuel Lisboa, diretor do Observatório Nacional de Violência e Género: “estes crimes tendem a acontecer nas alturas em que o contato entre vítima e agressor é maior, “nomeadamente aos fins-de-semana e nas férias”. Os números indicam um aumento homólogo mas este investigador é cauteloso quanto à interpretação do que se passou neste mês. Sugere também, apesar de reconhecer que não há estudos nesse sentido, que em geral janeiro, por se seguir ao Natal, pode igualmente registar estes picos de violência.
A subida de femicídios do início deste ano segue-se a um ano que tinha já sido de aumento de números. Até 20 de novembro de 2018, a UMAR tinha contado 24 mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica ou de género no ano passado, em contraste com as 18 vítimas em período homólogo de 2017.
Por isso, Elisabete Brasil realçou que enquanto os homicídios têm diminuído, os femicídios não seguem esta tendência. E, para além dos femicídios, estes dois especialistas avisam que a violência de género se tem manifestado de outras formas como é o caso dos suicídios, que se seguem a períodos prolongados de violência, das doenças psicossomáticas e depressões.
A dirigente da UMAR, em declarações ao mesmo jornal, aponta caminhos para tentar inverter a situação: “temos de aliar a sensibilização, a informação, com acções que permitam mudar uma cultura patriarcal que legitima a violência contra mulheres”.