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Ataque com drones a refinarias sauditas corta produção e lança alarme mundial

Ataque aéreo a refinarias na Arábia Saudita cortou para metade a produção petrolífera do país. Ataque foi reivindicado por rebeldes Huthis do Iémen, contra a intervenção saudita na guerra civil do país. Mercados globais de energia estão em alarme, EUA e Irão trocam acusações.
Colunas de fumo dos incêndios nas refinarias de Abqaiq e Khurais, atacadas por drones a 14 de setembro de 2019. Foto: NASA Worldview/EPA/Lusa.
Colunas de fumo dos incêndios nas refinarias de Abqaiq e Khurais, atacadas por drones a 14 de setembro de 2019. Foto: NASA Worldview/EPA/Lusa.

Um ataque com drones a dois campos petrolíferos no leste da Arábia Saudita, reivindicado pelos rebeldes Huthis do Iémen, cortou para metade a produção petrolífera do país e está a lançar o alarme nos mercados globais de energia.

Na madrugada deste sábado, cerca das 4 da manhã locais (2 da manhã em Portugal), as refinarias da Saudi Aramco, a petrolífera estatal saudita, em Abqaiq e Khurai foram alvo de ataques aéreos que desencadearam incêndios e muitos danos materiais. Não houve mortos a registar. Segundo a agência Lusa, o canal televisivo Al-Massiri, dos Huthis, reivindicou "uma operação de envergadura" contra as duas refinarias. O ataque ter-se-á realizado com dez drones armados.

Os Huthis, rebeldes apoiados pelo Irão na guerra civil do Iémen, onde a Arábia Saudita está fortemente envolvida no apoio ao outro lado, vêm realizando há já algum tempo ataques aéreos com drones à Arábia Saudita. Mas o ataque de sábado teve um impacto maior que qualquer ataque anterior, e surpreendeu os sauditas com fragilidades estratégicas de tipo novo, a que não estavam habituados, fruto de uma "democratização" do acesso a drones armados, que começam a chegar às mãos de outros atores para além dos exércitos mais poderosos. Um porta-voz dos rebeldes Huthis, citado pelo Financial Times, afirmou: "Prometemos ao regime saudita que vamos aumentar as nossas operações no futuro, e serão cada vez mais dolorosas, enquanto a agressão e cerco sauditas continuarem".

As duas refinarias atacadas são de grande importância. Abqaiq refina o crude do maior campo de extração de petróleo do mundo, Ghawar, e envia os produtos refinados para os terminais marítimos de Ras Tanura e Juaymah, no Golfo Pérsico, bem como no sentido oposto para terminais marítimos no Mar Vermelho. Ras Tanura é o maior porto de abastecimento de navios petroleiros do mundo.

As consequências fizeram-se sentir rapidamente. Em comunicado, a petrolífera saudita informou que a produção vai sofrer um corte de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de metade da produção diária, ou 5% da produção mundial. A Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, exporta a cada dia sete milhões de barris para todo o mundo. A produção de gás também caiu para metade. O ministro da energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, declarou que os cortes seriam parcialmente compensados recorrendo a stocks de produtos acumulados. As autoridades sauditas afirmam que vão recuperar a produção petrolífera para os níveis habituais em breve, mas especialistas na matéria afirmam que isso poderá levar várias semanas, ou mesmo meses.

O episódio desencadeou rapidamente uma troca de acusações entre os EUA e o Irão, devido ao apoio iraniano aos Huthis. Mike Pompeo, secretário de Estado de Donald Trump, acusou diretamente o Irão pelo ataque: "O Irão acabou de lançar um ataque sem precedentes ao abastecimento energético de todo o mundo. Não há nenhuma prova de que os ataques vieram do Iémen", afirmou. Pompeo apelou a "todos os países para condenar os ataques do Irão pública e inequivocamente". Este domingo, o Irão reagiu através do seu ministro dos negócios estrangeiros, Abbas Mousavi, que desmentiu como falsas as afirmações de Pompeo: "Este tipo de acusações e comentários cegos não tem sentido nem é compreensível em termos diplomáticos". E foi mais longe, acrescentando que a política de Trump de "pressão máxima" sobre o Irão se transformara numa política de "mentira máxima".

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