Face à intenção de Bolsonaro de criminalizar os movimentos sociais, como o MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra ou o MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, considerando-os terroristas, a Associação José Afonso (AJA) acusa o presidente recém eleito de não só querer “rasgar a Constituição brasileira de 1988 como suprimir o activismo social, componente fundamental de qualquer processo progressista de mudança social e política”.
A AJA lembra as origens do MST e do MTST:
“O MST foi criado ainda no tempo da ditadura militar para organizar a luta pela justiça social em torno dos direitos dos deserdados da terra e pela Reforma Agrária, num projecto que é também de preservação dos recursos naturais, de promoção da agro-ecologia e de alfabetização popular”.
Já o MTST foi, por sua vez, “criado para apoiar a luta do povo pelo direito à habitação, defendendo os que vivem em casas ou espaços ocupados ou aqueles que são afectados por rendas altas que consomem parcelas exagerados do rendimento familiar ou vivem em situações precárias”.
A AJA afirma-se solidária com os movimentos sociais no Brasil, denunciando “a entrega do novo presidente da república daquele país aos interesses dos latifundiários e da especulação fundiária, nas cidades e nos campos do Brasil, expressão do capitalismo selvagem e agressivo, ameaçando reprimir ainda mais as populações sem terra e sem casa, que se organizam e lutam”.
No documento, a Associação evoca, “como símbolo e exemplo dessa luta, a figura de Alípio de Freitas, que sofreu a perseguição, a tortura e a prisão, sempre ao lado das populações pobres do Brasil, tendo sido dirigente das velhas Ligas Camponesas e presidente da Federação da Associação de Favelas do Estado de Guanabara no início dos anos 60”.
A AJA remata com um trecho de música que José Afonso dedicou a Alípio de Freitas: “Sabemos bem que a luta de Alípio, que foi dirigente da Associação José Afonso, é hoje prosseguida por estes movimentos, que não descansarão enquanto houver um sem terra e um sem tecto no Brasil. Por isso, da canção com o seu nome, que José Afonso lhe dedicou proclamamos aqui:
“Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou noutra terra”.