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“A arrogância das maiorias absolutas significa sempre recuo”

Este sábado, no mega-almoço do Bloco de Esquerda em Lisboa, Catarina Martins afirmou que “a arrogância das maiorias absolutas significa sempre recuo” e defendeu que o SNS “tem de ser a luta da próxima legislatura”, juntando “vontade, competência e estratégia”.
Fotografia de Paula Nunes
Fotografia de Paula Nunes

Beatriz Dias: “um combate sem tréguas ao racismo e à xenofobia”


 

Beatriz Dias, candidata a deputada pela lista do distrito de Lisboa, abriu o comício, afirmando que “temos pela frente o desafio de vencer a negação do racismo e conquistar a igualdade de direitos de toda a gente que vive em Portugal, independentemente da nacionalidade ou pertença étnico-racial”. Assim, a candidata defendeu a “defesa intransigente da democracia”, de forma a haver “um combate sem tréguas ao racismo e à xenofobia”.

“O racismo não é uma opinião, é um ataque à democracia”, afirmou, acrescentando que este “mantém pessoas apontadas como o outro” e “estimula a exclusão social”. Defendendo que “esta discriminação tem uma história construída ao longo dos tempos, alicerçada no processo colonial português e negada pelos mitos nacionais que promovem uma identidade nacional sem memória”, acrescentou que “este país tem de ser para todos” e que não o tem sido para tanta gente vítima de discriminação racial, como “os jovens afrodescentens que protestaram em janeiro, na Avenida da Liberdade [Lisboa], em protesto contra a violência policial no Bairro da Jamaica”. “Alguns acabaram detidos por motim”, lembrou.

Pedro Filipe Soares: “a inevitabilidade da troika era a escolha da direita”


 

Pedro Filipe Soares, candidato por Lisboa e atual líder parlamentar do Bloco, afirmou que, no decorrer da última legislatura, o Bloco demonstrou “que a inevitabilidade da troika era a escolha da direita” e que “a austeridade não é um projeto para o futuro do país”.

“Queremos uma democracia por inteiro, à medida dos interesses dos trabalhadores, não à medida de um qualquer partido, de um qualquer governo”, afirmou, acrescentando que, “se há quatro anos, 10% foram tão determinantes, mais de 10% mostrarão muito mais”.

Lembrando a greve climática desta sexta-feira, Pedro Filipe Soares afirmou que “esta é a juventude que sabe a diferença que faz no destino do país e do planeta, e por isso conta para a definição de futuro”. No início de mais um ano escolar, o líder parlamentar do Bloco sublinhou o quão “fraco tem sido o PS a combater a especulação”, lembrando ainda a Lei Cristas e o ataque à habitação de um país. “A elite económica acha que a propriedade é um direito seu e, com isso, pode negar um direito fundamental da Constituição, o direito à habitação”, afirmou.

Sobre as conquistas última legislatura, Pedro Filipe Soares sublinhou a redução de propinas, afirmando que “menos propinas é mais acesso ao ensino superior”. Contudo, a habitação dos jovens que beneficiarão desta redução encontra um entrave económico na habitação. “A especulação imobiliária impede-os de sair de casa dos pais”, afirmou.

No seu entender, a proposta de disponibilização de camas do PS é para lá de insuficiente: “Até ao final de 2022, propõem 12 mil camas para 114 mil necessidades”. “A pergunta que fica é se esta proposta do PS é à medida das necessidades do país ou de um qualquer bitola de Bruxelas”, afirmou.

“Estamos cá para lutar por esses jovens, por garantir o direito à habitação e a democratização do acesso ao ensino superior”, garantiu Pedro Filipe Soares

Mariana Mortágua: o Bloco “presta contas pela solução política que transformou este país”

Mariana Mortágua, cabeça de lista por Lisboa, começou por afirmar que, desde o compromisso de 2015, todos os dias o Bloco “presta contas pela solução política que transformou este país”. “Fomos responsáveis, fizemos o que tínhamos a fazer”, afirmou a atual deputada.

“Sem acordos à esquerda, o salário mínimo não teria aumentado 95 euros, não teria havido aumento das pensões, não teria havido a lei que garantiu o descanso aos pedreiros de Penafiel, a integração das amas na segurança social”, afirmou, acrescentando que “a esquerda contou para o povo porque não houve maioria absoluta”. “Muitas destas medidas só viram a luz do dia porque havia uma esquerda forte à esquerda do PS”, sublinhou.

“Quem agora pede poder absoluto não o faz pela estabilidade do país mas por facilitismo, para escapar ao confronto de ideias, ao escrutínio acrescido, à exigência permanente que implica negociar”, afirmou Mariana Mortágua, apontando que quem pede o poder absoluto o faz “por querer o caminho mais fácil”.

No seu entender, ainda falta muito caminho: “ainda falta ajustar contas com uma elite económica que tem mandado no país, que vampirizou impunemente a economia, que jogou à roleta com empresas estratégicas e fez sempre tudo o que podia para não pagar os seus impostos”. “Estes donos de Portugal criaram uma economia fraca num país desigual”, rematou.

No seu entender, “a economia é fraca” porque houve “sempre alguém a enriquecer à custa dos outros, dos precários, dos pobres, da renda, do privilégio”. “Berardo não é um acidente de percurso. Foi um dos reis da economia do país e durante anos foi premiado e recomendado. Pediu mil milhões à banca para jogar na bolsa. Não pagou um cêntimo de IRC porque tudo foi feito em nome de uma fundação. Quando o negócio correu, mal, foi ao parlamento dizer que não deve nada a ninguém”, afirmou Mariana Mortágua.

No seu entender, “para acabar com estes empecilhos, faltam duas decisões prioritárias”: “a banca ao serviço da economia” e “uma política fiscal justa”. Assim, exige “o controlo democrático da banca”. “A banca vive num permanente estado de excepção e isso tem de acabar”, rematou.

Catarina Martins: o Bloco “não esquece nem por um momento as lutas que estão por vencer”

Catarina Martins, coordenadora do Bloco, lembrou, a uma semana das eleições, as lutas travadas ao longo da última legislatura: “os pedreiros exigiram respeito e reconhecimento do desgaste rápido e ganharam”, “as amas da segurança social conseguiram contratos de trabalho e vínculos à segurança social”. “É com esta gente que fazemos a nossa campanha”, afirmou.

No mesmo sentido, a coordenadora do Bloco garante que o partido “não esquece nem por um momento as lutas que estão por vencer”, lembrando os formadores do IEFP ou os investigadores precários “condenados à bolsa e à preciariedade”. “O PREVPAP é o nosso orgulho, sim”, afirmou, garantindo que o Bloco “continua a lutar por cada trabalhador”.

“Chegámos aqui depois de um caminho de quatro anos em que parámos o empobrecimento do país”, afirmou a coordenadora do Bloco, relembrando o caminho feito até agora: “a três semanas das eleições de 2015, disse a António Costa que faríamos um governo se aceitassem três condições – descongelar as pensões, não diminuir as contribuições das empresas para a segurança social e não facilitar os despedimentos”. Contudo, “o PS respondeu continuando a campanha a apelar à maioria absoluta”.

Após o acordo posterior às eleições, “o Bloco orgulha-se do caminho que fez”. Afinal, conseguiu-se “aumentar o salário mínimo”, deu-se “estabilidade às pensões”, fez-se com que “a tarifa social de energia chegasse a 800 mil famílias”, fez-se o “pacto histórico de, pela primeira vez, o valor das propinas do ensino superior descer em vez de subir”, garantiu-se “um ano escolar que começa com a gratuitidade dos materiais para todo o ensino obrigatório”, conseguiram-se “passes que protegem as famílias e os salários”, baixou-se “o IRS com dois novos escalões”. “O governo nada teria feito sem o Bloco e sem o PCP”, afirmou, acrescentando que “as decisõees da maioria foram graças aos três e gostámos desta cooperação sempre que serviu para resolver os problemas do país”.

“Só lhe apontamos ainda ter sido pouco porque fez pouco pelos precários, pelos trabalhadores por turnos, para combater as desigualdades sociais ou para recuperar os hospitais do SNS”, acrescentou.

No seu entender, nestes quatro anos não houve apenas o voto, mas também “a luta, na rua, sindical, de quem durante quatro anos exigiu ser ouvido, viveu de cabeça erguida e quis soluções para este país”. Assim, as mulheres da greve feminista, os jovens da greve climática, os moradores que defendem as suas casas, os sindicalistas, são lutas de 4 anos e lutas de que nos orgulhamos”.

Lembrando “o imposto Mortágua”, a coordenadora do Bloco acredita que foi feita “justiça”: “quem tem quase tudo pode pagar um pouco mais para que as pensões de quem precisa sejam um pouco mais altas”.

A uma semana de novas eleições, a coordenadora do partido afirma que “o SNS tem de ser a luta da proxima legislatura”. “É preciso juntar vontade, competência e estratégia para o SNS”, afirma.

No seu entender, no dia 7 de outubro deve haver uma solução que “reforce o SNS, dê conforto aos hospitais que cuidam dos doentes, garanta o investimento necessário, garanta os técnicos indispensáveis”. “No dia 7 de outubro, diremos: 'vejam o exemplo de António Arnault e João Semedo'. Responder pelo país é estar à altura das responsabilidades”, afirmou a coordenadora do Bloco.

“Quem cumpre merece crescer e o Bloco, ao longo  destes 4 anos, cumpriu todos os compromissos do acordo que fizemos com o país. Fomos a estabilidade do salário e da pensão, a exigência pela saúde, justiça, educação”, lembrou a coordenadora do Bloco.

“A arrogância das maiorias absolutas significa sempre recuo. Seremos mais fortes para construir um país mais justo”, terminou Catarina Martins.

Veja a fotogaleria do almoço aqui.

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