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Argélia: Irmão de Bouteflika é preso

Tribunal militar decreta a prisão preventiva de Saïd Bouteflika, considerado o presidente de facto durante a doença do irmão, e dos ex-chefes do Departamento de Informação e Segurança e das secretas.
Saïd Bouteflika: era considerado o presidente de facto, que decidia no lugar do irmão inválido. Agora está acusado de conspiração.
Saïd Bouteflika: era considerado o presidente de facto, que decidia no lugar do irmão inválido. Agora está acusado de conspiração.

O tribunal militar da Argélia decretou a prisão preventiva de Saïd Bouteflika, irmão e conselheiro do ex-presidente Abdelaziz Bouteflika, do general da reserva Toufik (Mohamed Mediène), antigo chefe do DRS (Departamento de Informação e Segurança), e do general-major na reforma Bachir Tartag, ex-coordenador dos serviços secretos.

Os três são acusados de “atentado à autoridade do Exército”, e “complô contra a autoridade do Estado”, incorrendo em penas que vão dos cinco aos dez anos de cadeia e até à pena de morte.

Saïd Bouteflika seria o presidente de facto durante os anos de incapacidade do irmão, que sofreu um acidente vascular cerebral em abril de 2013.

Segundo o jornal El Watan, a atuação do tribunal militar já era esperada, depois das acusações feitas pelo chefe do Estado Maior do Exército e vice-ministro da Defesa, general Ahmed Gaïd Salah, em dois discursos recentes. Nestes, o homem forte do regime atual acusou o general Toufik de manter em segredo reuniões suspeitas para conspirar em torno das reivindicações do povo e para entravar as soluções do Exército e as suas propostas de saída da crise.

Provas irrefutáveis”

Gaïd Salah chegou a evocar a existência de “provas irrefutáveis destes factos abjetos” contra os três agora acusados, ameaçando abertamente Toufik de lançar mão de medidas legais firmes caso este persistisse nas ações conspirativas.

O antigo ministro da Defesa, Khaled Nezzar, em declarações recentes, complicou muito a situação de Saïd Bouteflika, ao declarar que este se comportava como o último e único decisor, sem se preocupar em consultar o irmão ainda titular da Presidência, num momento em que estava em causa a possibilidade de reprimir as manifestações que se mantêm na Argélia desde o dia 22 de fevereiro. Segundo Nezzar, Saïd Bouteflika estaria disposto a manter a luta pelo 5º mandato do irmão e encarava a possibilidade de instaurar o Estado de urgência ou o estado de sítio.

O chefe do Exército dá um sinal de querer pôr em prática mudanças reais, apesar de ser acusado pelos manifestantes de estar a trabalhar para manter intacto o sistema.

A prisão destes três altos cargos do governo do presidente demitido mostram, por outro lado, que o chefe do Exército dá um sinal de querer pôr em prática mudanças reais, apesar de ser acusado pelos manifestantes de estar a trabalhar para manter intacto o sistema. Saïd Galah insiste que a transição do regime deve ser feita através do disposto na Constituição, isto é, através das eleições presidenciais que foram remarcadas para 4 de julho. Mas as eleições vêm sendo contestadas pelas sucessivas manifestações de milhões de pessoas, que querem ver o fim do sistema e não a sua manutenção com alterações cosméticas. Na última sexta-feira, mais uma vez saíram à rua milhões de pessoas, e a mobilização não dá mostras de esmorecer.

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