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Argélia acusa Marrocos de ter ateado fogos e rompe relações

Por detrás da disputa entre os dois países estão os apoios aos movimentos independentistas. A Argélia apoia historicamente o direito à autodeterminação do Sahara Ocidental, Marrocos declarou apoio à independência da Cabília e normalizou as relações com Israel a troco do reconhecimento dos EUA da soberania sobre aquele território.
Larbaa Nath Irathen na Cabília. Foto de  EPA/STR/Lusa.
Larbaa Nath Irathen na Cabília. Foto de EPA/STR/Lusa.

O governo argelino já vinha há algum tempo a produzir declarações que responsabilizavam Marrocos pelos graves incêndios que atingiram o país, causando mais de noventa mortes. A 18 de agosto, tinha sido a própria Presidência da República a lançar a acusação e a avisar que as relações entre ambos os países iriam ser “revistas”. Esta terça-feira, a ameaça foi concretizada com o anúncio de Ramtane Lamara, ministro argelino dos Negócios Estrangeiros, de uma rutura de relações diplomáticas.

Em conferência de imprensa, o governante declarou que “a história mostrou que o Reino de Marrocos nunca cessou de praticar ações hostis contra a Argélia” e que “os serviços de segurança e propaganda marroquinos estão a desenvolver uma guerra ignóbil contra a Argélia, o seu povo e os seus dirigentes”.

O seu homólogo marroquino, Nasser Bourita, em comunicado, “lamenta esta decisão” que considera “completamente injustificada” e rejeita os “pretextos falaciosos, mesmo absurdos, que subjazem” à decisão.

Se a acusação argelina mais mediatizada tem a ver com os incêndios, com os rebeldes da Cabília, o MAK, Movimento para a Autodeterminação da Cabília, a serem diretamente visados, o assunto fundamental por detrás da disputa é outro. Marrocos escolheu normalizar relações com Israel, obtendo em contrapartida o reconhecimento dos EUA da soberania sobre o Sahara Ocidental. A Argélia tem criticado esta posição e reforçou o seu apoio histórico à independência da República Árabe Saharaui Democrática, pela primeira vez reconhecida por este país em 1976.

A 12 de agosto, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Yaïr Lapid, que deverá vir a ocupar o lugar de primeiro-ministro no futuro se o acordo com o seu principal parceiro de coligação se mantiver, visitou Casablanca e manifestou “inquietação” sobre o “papel da Argélia na região”, acusando o país de “aproximação ao Irão” e de uma campanha contra a admissão de Israel como membro observador da União Africana.

Marrocos tem, em contrapartida, manifestado apoio à independência da região berbere da Cabília, no norte da Argélia. Em meados de julho, na reunião do movimento dos países não-alinhados em Nova Iorque, o embaixador de Marrocos na ONU, Omar Hilale, defendeu que “o valente povo da Cabília merece, mais que nenhum outro, gozar plenamente o seu direito à autodeterminação”. A Argélia acusa o país de financiar e apoiar diretamente o MAK, junto com Israel.

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