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Área ardida é seis vezes superior à média dos últimos dez anos

Em declarações ao esquerda.net, o deputado Pedro Soares afirma que estamos perante uma situação de enorme gravidade, critica a “aposta na monocultura do eucalipto” e exige "medidas que invertam o rumo das políticas públicas para a floresta”.
Incêndios do primeiro semestre de 2017 aumentarem em seis vezes a área ardida em Portugal este ano. Foto de Octavio Passos/Lusa.
Incêndios do primeiro semestre de 2017 aumentarem em seis vezes a área ardida em Portugal este ano. Foto de Octavio Passos/Lusa.

Os números do relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), divulgado esta quinta-feira, revelam que o total de área ardida durante a primeira metade do ano foi de 128 mil hectares, cerca de seis vezes mais do que a média dos últimos dez anos.

Em nenhum dos primeiros semestres dos últimos dez anos a área ardida tinha sido superior a 70 mil hectares. O valor mais alto na primeira metade do ano era de 2012, com cerca de 68 mil hectares de área ardida.

Em declarações ao esquerda.net, Pedro Soares diz que estamos perante uma situação de enorme gravidade pois trata-se de “um problema que tem a expressão mais visível nos enormes riscos para as pessoas, para as sua habitações e pertences, na destruição de equipamentos e de atividade económica, nas árvores que ardem, mas a destruição de biodiversidade, a agressão ambiental, a destruição de solo pela erosão subsequente, normalmente não contabilizados”.

O deputado Pedro Soares analisou o relatório e verificou que houve “88% de incêndios, considerados grandes incêndios pelo ICNF, o que acontece quando a área afetada é superior a 100 hectares”. Estes dados revelam que é necessário inverter a lógica do combate para a prevenção, pois “os incêndios florestais tornar-se-ão cada vez mais difíceis de controlar pelo ataque direto com bombeiros. O ordenamento da floresta, o combate ao abandono e a gestão integrada constituem as questões decisivas para a proteção”.

Esta área ardida de floresta ultrapassa em cinco vezes as metas de redução de emissão de dióxido de carbono para a atmosfera definida pelo Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, para o período 2013-2018. “Implicaria a redução da área ardida para menos de 0,8% da área de povoamento em Portugal Continental, aproximadamente 25 mil ha”, salienta Pedro Soares.

Comparando os valores do ano de 2017 com o histórico dos 10 anos anteriores, assinala-se que se registaram mais 6% de ocorrências e mais 485% de área ardida, relativamente à média anual do período.

Pedro Soares afirma que, perante estes números, é urgente a intervenção pública na floresta visto que há vinte anos que “a Lei de Bases da Política Florestal e a situação na floresta portuguesa permanece próxima do caótico, à mercê da irracionalidade económica, de incêndios devastadores e de pragas sem solução”.

O deputado realça que a aposta na monocultura do eucalipto e pinheiro bravo teve resultados desastrosos, sendo que é necessária uma “floresta mais resistente aos fenómenos meteorológicos extremos e para isso é fundamental investimento público e normas legais para o ordenamento e gestão florestais que sejam efetivamente executadas”.

No relatório está incluído o incêndio da Sertã, que queimou ainda mais terreno do que o trágico incêndio de Pedrógão. As chamas começaram naquela vila do distrito de Castelo Branco, mas com as condições climatéricas o incêndio expandiu-se, acabando por destruir 29 mil hectares do concelho de Mação.

O ano de 2016 tinha sido um ano mau, mas 2017 contabiliza mais área ardida. Agosto vai no início e faltam apenas 30 mil hectares para atingir os números de terreno queimado em todo o ano passado.

O distrito mais afetado na área ardida é Leiria, com 20.348 hectares, cerca de 16% da área total ardida até à data, seguido de Coimbra, com 18.045 hectares (14% do total) e de Portalegre, com 17.437 hectares (14% do total).

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