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Apenas sete em cada dez pessoas com VIH/sida estão em tratamento

Duas em cada dez pessoas diagnosticadas com VIH/sida não são acompanhadas nos serviços de saúde em Portugal, e menos de sete em cada dez estão em tratamento. 
Linfócito infetado com VIH. Foto de NIAID/Flickr.
Linfócito infetado com VIH. Foto de NIAID/Flickr.

Duas em cada dez pessoas diagnosticadas com VIH/sida não são acompanhadas nos serviços de saúde em Portugal, e menos de sete em cada dez estão em tratamento. 

São as principais conclusões de um estudo a ser apresentado em Paris esta semana, que aborda os números de 2014 relativos à “cascata de tratamento” do VIH/sida em Portugal, de forma a avaliar o ponto de situação nacional relativamente aos três objetivos definidos pelas Nações Unidas para 2020: 90% de pessoas com VIH/sida diagnosticadas; 90% dos diagnosticados em tratamento; e 90% dos que estão em tratamento atingirem carga viral indetetável. 

Dos três, Portugal atingiu apenas o primeiro objetivo até ao momento, noticia a agência Lusa. O estudo mostra que apenas 65% das pessoas diagnosticadas em Portugal estão em tratamento. 

Segundo António Diniz, antigo diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, “do diagnóstico ao tratamento é como um saco muito grande, porque há passos intermédios. Primeiro é preciso que as pessoas cheguem aos serviços de saúde e depois que se mantenham”, justificou o antigo coordenador do Programa para o VIH/sida, em entrevista à agência Lusa.

Do total de pessoas diagnosticadas são seguidas pouco mais de 80% e, das que são “verdadeiramente seguidas”, apenas 79% estavam em tratamento. Ou seja, apenas 64,4% das pessoas diagnosticadas com VIH/sida estavam de facto a receber tratamento em 2014, quando a meta para 2020 é de 90%.

Isto significa que “se perdem” quase 20% dos doentes diagnosticados, ou seja, quase 8 mil doentes. “Perdemos as pessoas porque não as conseguimos manter nos cuidados de saúde ou porque nem sequer lá chegam. Com estes dados conhecemos a realidade e pode haver várias interpretações para isto. Mas eu prefiro olhar para este número e alertar para a necessidade de melhorar as condições de ligação aos cuidados de saúde e de retenção dessas pessoas”, afirmou António Diniz à Lusa.

“O grosso destes quase 20% não seguidos são seguramente pessoas que não conseguimos atingir com as medidas que atualmente temos implementado. Até agora, podíamos dizer que não sabíamos, mas a partir de agora não temos desculpa”, sublinhou.

Vários factores contribuem para que doentes diagnosticados não sejam acompanhadas pelos serviços de saúde, a começar pelo facto de que muitas “pertencem a populações mais frágeis e vulneráveis”, a começar por migrantes, normalmente com maiores dificuldades de acesso a cuidados de saúde. 

Ao todo, estima-se que em Portugal haja, pelo menos, 45 mil pessoas com a infeção. “Pensava-se que o grande problema e a nossa fraqueza era no diagnóstico. Percebemos depois que não é o diagnóstico e, agora, que a fraqueza está entre o diagnóstico e o tratamento, na ligação das pessoas aos cuidados de saúde e na capacidade de as reter”, resumiu António Diniz.

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