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APAV regista aumento de violência contra idosos

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) acaba de divulgar o boletim estatístico relativo a 2020. Verifica-se que as mulheres e meninas continuam a ser as principais vítimas de violência doméstica e regista-se um aumento de mais de 20% nas agressões a idosos.
APAV regista aumento de mais de 20 na violência contra idosos. Fotografia: Flickr/MabelAmber

A APAV divulgou na segunda-feira as “Estatísticas APAV-Relatório Anual 2020”, onde se encontram compilados os dados relativos aos processos acompanhados por esta associação.

No ano passado, a APAV apoiou diretamente 13.093 pessoas, de um total de 66.408 atendimentos. Cerca de 75% do total de vítimas diretas de crime eram do sexo feminino. As faixas etárias mais frequentes situavam-se entre os 25 e os 54 anos de idade, representando um total de 38,3%.

Destas vítimas, 12,4% são pessoas idosas, a maior percentagem de sempre desde a criação da associação em 1990. 72% das vítimas idosas são mulheres com uma idade média de 76 anos. A maioria dos autores dos crimes são os filhos ou os cônjuges, a que correspondem a 33,8% e 22,7%, respetivamente. Do sexo masculino, 15,3% das vítimas são pessoas idosas.

Constata-se que os autores dos crimes de violência são predominantemente do sexo masculino. De facto, de um total de 13.093 vítimas diretas, a APAV registou 13.113 autores/as de crime. Destes, 65% eram do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (21,1%). 

Comentando estes dados, em declarações ao Esquerda.net, a deputada do Bloco de Esquerda Sandra Cunha considera que “infelizmente os números grotescos da violência contra idosos e contra mulheres e crianças já não surpreendem. As condições que o confinamento impõe são propícias à violência, o agressor tem toda a liberdade para exercer maior controle e as vítimas estão mais isoladas e mais manietadas na sua capacidade de pedir ajuda ou de sair de relações de violência”.

A deputada conclui que é necessário “garantir mecanismos de proteção mais eficazes" e que isso "é uma responsabilidade coletiva e é urgente assegurar condições para a autonomia das vitimas de violência doméstica, garantindo-lhes proteção no emprego e na habitação.”

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