You are here

Antibióticos provenientes da pecuária intensiva estão a contaminar rios

Um estudo de várias universidades espanholas mostra fortes presenças de antibióticos nas águas e, junto a eles, bactérias multi-resistentes, o que é um perigo de saúde público. A OMS diz que a resistência aos antibióticos é uma das “maiores ameaças” para a saúde potenciada pelo uso indevido de remédios em humanos e animais.
Porcos numa exploração pecuária. Foto de James Hill/Flickr.
Porcos numa exploração pecuária. Foto de James Hill/Flickr.

Durante quatro anos, especialistas das Universidades de Saragoça, Navarra e Lleida, de um centro de investigação de Pau, integrado no CNRS francês, e da empresa Navarra de Infraestruturas Locais, estudaram a água de vários rios nestes territórios. Concluíram que neles havia presença de fortes resíduos de antibióticos e, perto destes, bactérias resistentes a antibióticos.

A situação representa um perigo para a saúde pública e surge ligada à pecuária intensiva, especialmente à criação de frangos e porcos. As áreas em que se detetaram mais resíduos de medicamentos foram as mais próximas de pecuárias intensivas destes animais que usarão estas substâncias de forma excessiva.

A bacia do Ebro, e os seus afluentes Segre, el Gállego e Cinca, detiveram a maior concentração, encontrando-se mesmo níveis crónicos de bactericidas de uso veterinários como a enrofloxacina e a sulfadiazina. É a maior área de criação de porcos do país e uma das principais de criação de frangos.

Em 96% dos rios detetaram-se bactérias resistentes a antibióticos, alguns considerados de “prioridade alta e crítica” pela Organização Mundial de Saúde. 96% destas eram multi-resistentes, não reagindo, por exemplo, à penicilina.

Mas também se encontram antibióticos, como azitromicina, enrofloxacina e trimetoprima, junto aos coletores das estações de tratamento de águas residuais dos grandes aglomerados urbanos.

Ao jornal Público espanhol, Francisco Laborda, professor de Química Analítica da Universidade de Saragoça, defende que estes resultados devem fazer-nos “prestar atenção e buscar soluções” para algo que “a longo prazo pode gerar problemas como não dispor de medicamentos para tratar infeções”.

A Organização Mundial de Saúde considera que mesmo que “a resistência aos antibióticos é hoje uma das maiores ameaças para a saúde mundial, a segurança alimentar e o desenvolvimento”. Sendo um “fenómeno natural”, o “uso indevido destes remédios no ser humano e animais está a acelerar este processo”, fazendo com que o tratamento de “cada vez maior número infeções” seja “cada vez mais difícil devido à perda de eficácia dos antibióticos”.

Termos relacionados Ambiente
(...)