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Angola: Polícia impede manifestação de estudantes do Ensino Superior

Algumas dezenas de estudantes, que pretendiam protestar em Luanda contra os aumentos das propinas nas universidades, foram impedidos de se manifestar pela polícia do regime de José Eduardo dos Santos.
Estudantes pretendiam protestar em Luanda contra os aumentos das propinas nas universidades – Foto da Folha 8 (arquivo)

A manifestação tinha sido convocada para este sábado, 30 de janeiro de 2016, por um autodesignado Movimento de Estudantes Angolanos (MEA) e o objetivo era marchar em direção ao largo 1º de Maio, no centro de Luanda.

Segundo a agência Lusa, os estudantes começaram a concentrar-se pelas 13 h na Estrada do Catete e empunhavam cartazes contra os “aumentos exorbitantes” nas taxas e propinas das universidades públicas e privadas.

Miguel Quimbenze, porta-voz do MEA, disse à agência: “A polícia veio e tirou-nos daqui à força, com pressão. Não nos deixaram passar [marchar para o centro], disseram que eram ordens superiores”.

Segundo a Lusa, um grupo de cerca de vinte estudantes conseguiu protestar, com cartazes, contra os aumentos nas universidades, junto à estrada de Catete, de acesso ao centro de Luanda. Não chegou a haver detenções.

O ministério angolano do Ensino Superior anunciou, na passada sexta-feira já depois de ter sido anunciada a manifestação, que, na próxima semana, vai reunir com universidade e associações de estudantes para abordar os valores de taxas, emolumentos e propinas cobradas pelas instituições.

“Temos agora uma moratória de sete dias e depois esperamos mais duas semanas. Se nada se alterar, então vamos convocar novo protesto e antes do início do ano letivo voltaremos a sair à rua”, declara Miguel Quimbenze.

O porta-voz do MEA refere que os estudantes criticam os aumentos nos valores cobrados para as taxas de ingresso, que face ao ano escolar de 2015 chegam a ultrapassar os 100 por cento, variando entre os 4.000 e os 12.480 kwanzas.

Os estudantes reivindicam ainda um passe social do estudante, devido aos aumentos, este mês, do preço dos combustíveis e dos transportes públicos, que, dizem, vão “pesar nas despesas diárias com o transporte dos estudantes”.

Segundo a Lusa, existem em Angola 28 estabelecimentos de ensino superior público e 45 privados, um dos quais sem funcionar. No início do ano letivo de 2015, havia 269.000 estudantes do Ensino Superior.

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