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Angola: Nito Alves ainda espera a libertação

Dos 17 condenados pelo regime angolano, só Nito Alves continua no hospital-prisão por causa de outro processo por injúria a um magistrado, quando apelidou o julgamento de “palhaçada”.
Nito Alves, foto de Maka Angola.

Os pais de Nito Alves esperavam esta quarta-feira à porta do hospital-prisão de São Paulo a libertação do jovem com os restantes companheiros, mas a desilusão não tardou. O porta-voz dos serviços prisionais anunciou que o jovem ativista não sairá antes de dia 8 de agosto por  estar a cumprir seis meses de prisão a que foi condenado pelo crime de injúria a magistrado.

“O Nito Alves não saiu porque foi-lhe aplicada uma outra pena em função de, no entendimento do tribunal, ter faltado respeito ao tribunal, aquando da audição do pai numa das sessões, o tribunal entendeu assim, que tinha que julgá-lo sumariamente e aplicar-lhe uma pena de seis meses de prisão efetiva que só termina no dia 8 de agosto", explicou à agência Lusa o advogado de defesa.

O jornalista angolano Rafael Marques confirmou à Rádio Renascença que Nito Alves não está abrangido pelo habeas corpus que libertou os seus companheiros “por ter dito no julgamento que o mesmo era uma palhaçada”, palavras que lhe valeram nova condenação.

Para o jornalista e autor do livro “Diamantes de Sangue” – que também lhe valeu um processo em tribunal por parte dos generais angolanos envolvidos no negócio diamantífero – a libertação dos detidos foi uma decisão política.

“O Supremo continua a arrastar o processo e esta decisão surge apenas porque tem havido grande pressão e o MPLA deverá realizar o seu congresso nas próximas semanas. Tudo isso é uma forma de reduzir as tensões políticas que se estão a gerar sobretudo também após a nomeação de Isabel dos Santos [para a administração da Sonangol] que foi muito mal recebida em todos os quadrantes da sociedade angolana”, afirmou.

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