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Angola: media de aliados de Eduardo dos Santos nas mãos do Estado

O grupo privado de comunicação social Media Nova, criado a partir de dinheiros públicos e detido pelos generais Dino, Kopelipe e o ex-vice-presidente, Manuel Vicente, passará para a ser propriedade do Estado angolano.
Redação da TV Zimbo. Agosto de 2009. Foto de Chimpanz APe/Flickr.
Redação da TV Zimbo. Agosto de 2009. Foto de Chimpanz APe/Flickr.

A Televisão Zimbo, o primeiro canal privado de Angola a transmitir em sinal aberto vai deixar de o ser. Esta faz parte do grupo Media Nova, que integra também meios de comunicação social como o jornal O País, a revista Exame e a rádio Mais, e que será integrado na esfera estatal. A notícia foi avançada pelo jornal Correio da Kianda.

O grupo nasceu em 2008 e era detido por figuras próximas ao anterior presidente angolano, José Eduardo dos Santos: os generais Leopoldino Fragoso do Nascimento, conhecido como “Dino”, e Helder Dias, conhecido como “Kopelipa”, e o ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente. O sucessor de Eduardo dos Santos, João Lourenço, criou em janeiro passado um “Grupo de Trabalho de Recuperação de Ativos”, cujo objetivo é recuperar investimentos que ficaram nas mãos de privados mas que feitos com verbas públicas. A Media Nova é uma das visadas neste processo.

A Televisão Zimbo nasceu em dezembro de 2008 e estabeleceu uma parceria com a TVI e a BBC. Desde logo sob o signo da polémica. Quando começou a emitir não cumpria qualquer regulamentação legal e dois anos depois despediu 75% dos seus trabalhadores, incluindo uma mulher grávida, alegando “uma crise financeira”.

Mais recentemente, a oito de maio, o Novo Jornal noticiava que o Grupo Media Nova iria suspender contratos. As dificuldades financeiras eram o motivo avançado. E a suspensão era o meio escolhido para o processo de redução de pessoal dada a proibição de os despedir no âmbito do estado de emergência que então vigorava no país.

A 14 de julho um grupo de jornalistas com “contratos suspenso” avançou com uma ação contra o Media Nova por “despedimento ilegal”. O Sindicato dos Jornalistas Angolanos considerava a dispensa de 30 funcionários ilegal porque “violou os dispositivos do estado de emergência”, afirmou então Teixeira Cândido, secretário-geral desta estrutura, que explicou ainda que “durante o período de emergência, as empresas estavam proibidas de despedir os trabalhadores, mesmo que pudessem suspender, havia um despacho da ministra do Trabalho que impunha o pagamento dos salários na vigência da suspensão dos contratos", o que não foi cumprido. O caso está ainda em julgamento, estando prevista mais uma audiência para 14 de agosto.

O sindicato de jornalistas considera ainda que o panorama em toda a imprensa privada angolana “é crítico e emergencial”.

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