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Angola: Ativista Nuno Álvaro Dala há sete dias em greve de fome

Nuno Álvaro Dala é, a par de Luaty Beirão, um dos 17 angolanos acusados da “prática de rebelião” e de “atentado contra o Presidente da República”. O professor universitário, investigador e ativista reivindica acesso às suas contas bancárias, a entrega dos seus pertences e dos resultados clínicos dos exames a que foi submetido.
Foto de Central Angola 7311.

Numa nota de imprensa divulgada a 14 de março, Nuno Álvaro Dala denuncia várias violações aos seus direitos, entre as quais não ter permissão para aceder às suas contas bancárias para “fazer face às necessidades materiais e financeiras” da sua família e não lhe serem devolvidos os seus pertences, que lhe foram retirados aquando da sua detenção a 20 de junho de 2015.

Dala reivindica ainda acesso aos resultados de vários exames médicos a que foi submetido e denuncia que não lhe está a ser prestado tratamento efectivo das patologias de que padece.

O ativista destaca ainda que continuará a boicotar o seu julgamento, denunciando que o mesmo “não passa de uma mentira, uma demonstração clara de que não existe poder judicial independente”.

“Serei consequente, congruente e coerente até às últimas consequências”, garante.

Geltrudez Piedade Raul Dala, irmã do ativista, citada pelo Voz da América, afirma que o estado de saúde de Nuno Álvaro Dala é crítico. “Ele disse que enquanto não resolver o problema não vai comer”, alerta.

O ativista angolano foi enviado para a prisão na segunda-feira da semana passada depois de não ter comparecido ao julgamento.

Segundo uma nota publicada no facebook do ativista Nito Alves, Nuno Dala terá desmaiado no passado dia 13 na comarca de Viana, tendo-lhe sido negada assistência. Nito Alves foi agredido por tentar ajudá-lo.

O Esquerda.net transcreve, na íntegra, a nota de imprensa de Nuno Álvaro Dala:

“NUNO ÁLVARO DALA,

Professor universitário, investigador e ativista, réu do Processo 0148/A-15, submetido novamente à prisão preventiva em 7 de Março do ano corrente, na Comarca de Viana,

Sirvo-me da presente nota para informar à opinião pública que no dia 10 (dez) de Março dei início a uma GREVE DE FOME em protesto às seguintes violações dos meus direitos:

1 – Apesar de inúmeras solicitações, nunca me foi permitido ter acesso às minhas contas bancárias para fazer face às necessidades materiais e financeiras da minha família.

2 – Apesar de inúmeras solicitações, nunca me foram devolvidos meus 38.000,00 (trinta e oito mil) Kwanzas, minhas carteiras com bilhete de identidade, cartões de crédito, folhas de código e muitos outros meios apreendidos no dia 20 de Junho de 2015, e que continuam abusivamente em poder do SIC (Serviço de Investigação Criminal).

3 – Apesar de inúmeras solicitações, não me foram devolvidos os meus meios deixados ficar no Estabelecimento Prisional de Kakila (EPK). Estes meios incluem livros, cadernos com apontamentos e desenhos, roupa diversa, sapatilhas, coberta e outros. Estão respectivamente no armazém e na cela onde passei 4 (quatro) meses – de Junho a Outubro de 2015.

4 – Até hoje, os resultados de vários exames médicos a que fui submetido no Laboratório do Hospital Militar Principal (HMP) não me foram revelados. Outros exames nunca sequer foram feitos. Por outro lado, continuo sem receber tratamento efectivo das patologias de que padeço.

Minha GREVE DE FOME apenas será suspensa quando as minhas exigências supramencionadas forem satisfeitas, incluindo a devolução de todos os valores eventualmente saqueados das minhas contas por agentes desonestos do SIC, pois o SIC até mesmo tem em poder as folhas de código dos cartões multicaixa.

Entrementes, CONTINUO A BOICOTAR O JULGAMENTO, que não passa de uma mentira, uma demonstração clara de que não existe poder judicial independente. O ditador usa os tribunais e seus juízes fantoches para intimidar, perseguir e privar da liberdade os angolanos que defendem o fim da ditadura e da sua governação criminosa. Por mais facínora que tente mostrar-se o “juiz” fantoche Januário Domingos, meu boicote continuará. Além disso, já sinto grandemente os efeitos da GREVE DE FOME. Estou debilitado e não aguentaria sequer ficar sentado por 1 (uma) hora no banco daquela mentira chamada “Tribunal”. Reitero que não existe poder judicial independente em Angola.

Serei consequente, congruente e coerente até às últimas consequências.

NÃO ADMITO que o regime perverso do ditador JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS me humilhe.

São responsáveis pela minha situação o “juiz” Januário Domingos, o Comissário António Fortunato (Director dos Serviços Prisionais) e o Director do SIC. Obviamente, o ditador JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS é o maior responsável.

Subscrevo-me

Nuno Álvaro Dala
Luanda, 14/03/2016

PS: Exorto a todos os responsáveis declarantes agora constituídos em arguidos no sentido de que NÃO se dêm ao trabalho de ir ao “tribunal” para responder; NÃO PAGUEM taxa de justiça. Se o regime vos mandar prender e conduzir à cadeia, ter-se-à  conseguido mais uma vez EXPOR A DITADURA E ESTA MENTIRA chamada de “poder judicial angolano”.

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