As reclamações nos correios e telecomunicações subiram ou desceram ano passado? A resposta para a Anacom é óbvia: subiram.
Ao divulgar a semana passada as suas estatísticas oficiais sobre o tema, a entidade reguladora revelou que em 2018 houve 104 mil reclamações, 81 mil sobre as telecomunicações e 23 mil sobre os correios — mais 3% que no ano anterior. E acrescentava: a culpa é dos correios, que viram as reclamações aumentar 43%, pois as telecomunicações até tiveram menos 4,5% de queixas.
Mas os CTT reagiram de imediato: os números da Anacom eram parciais, as reclamações na verdade teriam caído 8% no ano anterior, afirmou a empresa num comunicado no mesmo dia.
Esta terça-feira, a Anacom reagiu com veemência: a CTT divulgou informação enganosa. Em novo comunicado, o regulador informa que pediu esclarecimentos aos CTT. E critica o comunicado dos CTT por misturar dados, induzindo "a conclusão de que tal redução respeitaria apenas a reclamações, quando, na verdade, correspondia à soma das reclamações e dos pedidos de informação". Ora, estes dados não se podem juntar: "considerados separadamente, como não pode deixar de ser, observa-se que o Grupo CTT registou no seu sistema interno um aumento de 9% das reclamações recebidas (e uma redução de 40% dos pedidos de informação recebidos)", afirma a Anacom.
Os CTT reagiram de novo num comunicado que repete a sua posição anterior, mas não nega a distinção feita pela Anacom. O diferendo entre regulador e revela os problemas de um modelo de regulação concorrencial num setor que é essencialmente um monopólio natural. No mês passado, Catarina Martins criticou a "verdadeira sangria" que os accionistas privados têm feito dos CTT, distribuindo dividendos superiores aos próprios lucros, e reclamou a renacionalização da empresa.