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Ambientalistas denunciam repressão policial em Lützerath

35.000 mil pessoas manifestaram-se este sábado contra a ampliação de uma mina de lenhite na Alemanha. Há dois anos que um conjunto de resistentes permaneciam na aldeia tentando impedir o incremento dos combustíveis fósseis, a polícia desalojou-os pela força no início da semana.
Foto de RONALD WITTEK/EPA/Lusa.

A polícia alemã desencadeou finalmente esta semana a esperada operação para desalojar os ambientalistas que têm resistido ao longo de dois anos na aldeia alemã de Lützerath à ampliação de uma mina de carvão. Mais de mil polícias avançaram perante a resistência dos ativistas tendo conseguido retirar a grande maioria. Alguns deles resistência ainda em casas feitas nas árvores e dois, que se denominaram Pinky e Brain, como duas personagens de um famoso desenho animado, permanecem entrincheirados no interior de um túnel e vão publicando vídeos no Youtube.

Este sábado, 35 mil ativistas ambientais, seguindo a convocatória de quase todos os movimentos ecologistas do país, manifestaram-se em apoio a esta luta. Greta Thunberg foi uma das que encabeçou o protesto, declarando que “a Alemanha está realmente a embaraçar-se a si própria neste momento” e considerando o uso da força pelo polícia para desalojar os ambientalistas de Lützerath como “ultrajante”.

Para ela, “a ciência é clara: precisamos manter o carbono no solo” e “quando o governo e as empresas agem assim, destruindo o ambiente… as pessoas precisam intervir”. Para além disso, comparou ainda a mineração a céu aberto a Mordor, o reino do vilão Sauron do Senhor dos Anéis de Tolkien, acrescentando: “isto mostra aquilo contra o qual estamos a lutar, o que estamos a tentar impedir”.

A marcha pretendia entrar na aldeia. A polícia não os deixou avançar mas alguns dos manifestantes tentaram forçar a passagem. Segundo as autoridades, as barreiras policiais foram por momentos quebradas e algumas pessoas conseguiram mesmo entrar na zona da mina.

Quer o governo alemão quer a empresa dona da mina, a RWE, têm alegado que a ampliação da mina é necessária para a segurança energética do país. Contudo, até este argumento esbarrou num estudo do Instituto Alemão para a Investigação Pública, instituição financiada sobretudo com fundos públicos, que mostrou que outras minas podiam ser usadas com o mesmo efeitos só que essa alternativa custaria mais à empresa. A BBC cita uma sondagem segundo a qual 59% dos alemães são contra a expansão da mina de lenhite.

Em maus lençóis ficam os Verdes já que participam no governo da Renânia do Norte-Vestefália que entrou em acordo com a companhia fóssil e no governo federal que o apoiou. As críticas à “traição” deste partido à causa ambiental têm-se multiplicado e Thunberg foi uma das suas promotoras tendo declarado: “há que prestar contas. Hoje vocês estão a demonstrar claramente que a mudança não virá das pessoas que estão no poder, dos governos, das empresas, dos chamados líderes”.

Climáximo denuncia “mobilização policial como se fosse uma guerra”

Os ecos do caso chegam entretanto a todo o mundo. Em Portugal, a associação ambientalista Climáximo expressa em comunicado solidariedade com os ativistas que estão em Lützerath e desta forma “defendem a vida contra o lucro” e manifesta-se contra a “mobilização policial como se fosse uma guerra”.

O coletivo define o que sucedeu como “um pacto com o diabo, em que o Governo alemão finge precisar desta zona de sacrifício para reduzir a dependência fóssil da Rússia, enquanto mantém o padrão da dependência fóssil que nos leva ao colapso do clima”. As críticas vão também para os Verdes que “na hora da verdade, bem podem pintar a solução a Verde, que o único verde que está a ser defendido é o do dinheiro, à custa da verde esperança num futuro abaixo de 1.5°, fora de emergência climática, e de um futuro em que se cuide mais da vida de milhões do que dos milhões nas contas de alguns”.

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