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Ambientalistas denunciam atentado contra rio Gerês

Em causa está a instalação de duas plataformas metálicas sobre o rio Gerês, em Terras de Bouro, que, em altura de cheias, fará com que este galgue para a avenida. Autarca local qualifica denúncia de "ruído político".
Fotografia de FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade.

A Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade (FAPAS) denunciou um "atentado" contra o rio Gerês, em Terras de Bouro, numa obra pública financiada por fundos comunitários. Em reação, o presidente da Câmara classificou a denúncia como "ruído político".

Em causa, segundo um comunicado enviado pela FAPAS à agência Lusa, está a "instalação de duas plataformas metálicas sobre o rio Gerês, afluente do Cávado, junto à avenida 20 de Junho, na vila do Gerês, no Parque Nacional da Peneda Gerês”. A obra ocorre no âmbito do projeto Raia Termal, que envolve seis municípios portugueses e galegos situados nas bacias dos rios Minho e Lima.

"Não pode a FAPAS ficar indiferente a esta desastrosa intervenção que contraria todas as orientações e diretivas da União Europeia em matéria de ambiente, pelo que, em caso nenhum, pode ser custeada por fundos vindos de Bruxelas, que o mesmo é dizer, pelos nossos impostos", sustenta o comunicado.

A associação adiantou ter "apresentado uma queixa às autoridades portuguesas para adequada investigação do cumprimento da legislação de ordenamento do território, nomeadamente do Plano Diretor (PDM) de Terras do Bouro e do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG)”.

A FAPAS alerta que, quando o rio entrar em caudal de cheia e arrastar a vegetação, esta “ficará encravada contra os pilares destas estranhas estruturas, criando como que uma barragem, com o rio a ganhar velocidade e a galgar para a avenida 20 de Junho”.

"Não se conhece o uso previsto para essas plataformas, mas seja qual for, revelam muito mau gosto e desrespeito pela paisagem que dá valor à vila do Gerês e ao PNPG onde se insere", sublinha a nota.

A ação que deu origem à denúncia é financiada por verbas comunitárias vindas do programa Interreg V-A Espanha-Portugal (POCTEP - Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal).

"Ironicamente a referida candidatura enquadra-se no eixo prioritário número 3 que prevê o crescimento sustentável através da cooperação transfronteiriça para a prevenção de riscos e melhor gestão dos recursos naturais", refere a FAPAS.

Para Manuel Tipo, presidente da Câmara de Terras de Bouro (PSD), a associação está a tentar “criar ruído político”.

"Não cabe na cabeça de ninguém que uma entidade pública como a Câmara Municipal realize uma intervenção sem os devidos pareceres, licenciamento e autorizações. Eu entendo isto como sendo uma tentativa para criar ruído político. Mais nada", afirmou o autarca à agência Lusa.

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