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Ambientalistas contra conversão da Central do Pego para biomassa

Mais de 60 organizações ambientalistas escreveram carta aberta ao Governo e à Comissão Europeia. Querem que estes não atribuam fundos públicos para um uso que dizem ter “enormes implicações para as florestas, comunidades e o clima”.
Ambientalistas em protesto contra a queima de árvores. Foto da Associação Ambientalista Zero.
Ambientalistas em protesto contra a queima de árvores. Foto da Associação Ambientalista Zero.

De Portugal são Acréscimo, ANP, WWF Portugal, Climáximo, Fapas, Geota, Greve Climática Estudantil, Iris, Quercus e Zero. Do resto do mundo são mais outras 58 organizações ambientalistas. Juntam-se na oposição à conversão da Central de carvão do Pego para biomassa florestal.

Estas organizações assinam conjuntamente uma carta aberta ao Governo e Comissão Europeia a apelar a que não sejam utilizados fundos públicos nesta eventual conversão. Isto porque a reconversão prevê o recurso ao financiamento do Fundo de Transição Justo da UE. Os signatários da missiva contrapõem que este “seria um exemplo de utilização para financiar uma falsa solução climática em vez de uma transição genuinamente justa e renovável para a produção de eletricidade com tecnologias de baixo carbono”.

Do lado do principal acionista da central que encerrará em novembro, a Trustenergy (uma joint venture entre a ENGIE e a Marubeni), foi feito o anúncio de um investimento de cerca de mil milhões de euros no processo de reconversão. Os ecologistas respondem que este tem “enormes implicações para as florestas, comunidades e o clima devido à enorme procura de biomassa florestal que isto iria criar”.

A carta explica que em condições médias de operação, a central necessita 1,1 milhões de toneladas de biomassa por ano. Mas “a funcionar na sua plena capacidade, é muito provável que o Pego venha a necessitar de um valor que poderia aproximar-se das 5 milhões de toneladas de madeira”. O que causaria uma “procura acrescida de matéria-prima” que “ultrapassaria em muito os recursos disponíveis”. E, apesar de se alegar que se queimariam apenas “resíduos” florestais, as regras da UE preveem que nisto se inclua “qualquer tipo de madeira, sejam resíduos das indústrias da madeira ou arvoredo”. O que se encontra na maior parte dos parques das centrais a biomassa ou nas unidades de produção de pellets de madeira não são “resíduos”, mas sim secções de troncos de árvores (toros), afirma-se. Por isso, “um dos cenários mais prováveis” seria o recurso aos eucaliptos, criando condições para a instalação de novas áreas de monoculturas na bacia hidrográfica do rio Tejo, “o que poderia agravar ainda mais os problemas associados aos grandes incêndios”, e aumentando a pressão sobre importações desta espécie. Se se quisesse recorrer ao pinheiro bravo, também iria resultar na importação “em grandes quantidades”.

Além disso, a produção de eletricidade através da queima de biomassa florestal residual tem “uma enorme ineficiência energética e avultados custos de extração, transporte, armazenamento e no funcionamento dos equipamentos da central”. Referem-se impactos “devastadores em termos de conservação dos solos, da capacidade de armazenamento de água e da manutenção da biodiversidade” e o aumento do nível de emissões de gases de efeito estufa.

Em alternativa, dizem, seria importante fazer investimento público no apoio à requalificação e criação de novos postos de trabalho na região, em particular os que possuem ligação à promoção de fontes de energia verdadeiramente renováveis, “para compensar uma eventual perda de postos de trabalho com o encerramento da unidade de carvão na central do Pego” e “direcionar a subsidiação pública para apoio aos proprietários rurais, na conservação de habitats e no estímulo à adoção de sistema de produção verdadeiramente sustentáveis”.

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