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Amazon censura conteúdos LGBTI+ por pressão dos Emirados

O governo dos Emirados Árabes Unidos tinha dado até sexta-feira para a empresa retirar conteúdos LGBTI+. Também nos EUA a empresa está a ser criticada depois da marcha do orgulho de Seattle ter rompido com ela por apoiar políticos homofóbicos. A Amazon tinha tentado comprar o patrocínio do evento.
Pesquisa por Pride no site da Amazon dos Emirados Árabes Unidos feita a 30 de junho.
Pesquisa por Pride no site da Amazon dos Emirados Árabes Unidos feita a 30 de junho.

A Amazon deixou cair o orgulho. Quem procurar a palavra “pride” na Amazon dos Emirados Árabes Unidos deparar-se-á com zero resultados. O mesmo acontece com outras 150 palavras relacionadas com o universo LGBTI+, segundo noticiou o New York Times na quarta-feira.

O jornal norte-americano cita documentos da própria empresa e o Business Insider fez a experiência e comprovou que palavras como “LGBTQ” ou “queer” não tinham quaisquer resultados no motor de busca e que livros disponíveis na Amazon dos EUA como Gender Queer: A Memoir, de Maia Kobabe, ou Sissy: A Coming-of-Gender Story, de Jacob Tobia, não se podiam encontrar na Amazon dos EAU. Isto apesar de a retirada não ter sido total e de se poderem ainda encontrar outros livros com temáticas semelhantes. As bandeiras arco-íris deixaram igualmente de poder ser adquiridas.

Trata-se de uma cedência da multinacional do comércio online ao ultimato do governo deste país, que tinha ameaçado penalizações se até sexta-feira os conteúdos LGBTI+ não fossem retirados. Ao New York Times, um porta-voz da empresa confirma, garantindo que esta continua “empenhada na diversidade, equidade e na inclusão”, que “acredita que os direitos das pessoas LGBTQ+ devem ser protegidos", mas escuda-se na ideia de que são obrigados a “cumprir as leis e regulamentos locais dos países em que operam”.

Nos Emirados Árabes Unidos, a homossexualidade é considerada um crime. A vizinha Arábia Saudita tem políticas semelhantes e no início de junho o governo mandou apreender brinquedos e roupas infantis com as cores do arco-íris por supostamente promoverem a homossexualidade. O Qatar, que vai receber o campeonato mundial de futebol, também. A entidade organizadora do evento, a FIFA, foi muito criticada pelos movimentos de defesa dos direitos LGBTI+ por ter publicado no Twitter uma imagem do seu logótipo com as cores do arco-íris. Acompanhava-a uma mensagem que dizia que a organização estava a trabalhar para assegurar que a competição seja “uma celebração da unidade e diversidade”. Mas no Qatar a homossexualidade é castigada com penas de prisão e até a possibilidade de pena de morte. Em abril, um responsável pela segurança do país garantiu que quaisquer bandeiras com o arco-íris que fossem apresentadas durante o campeonato seriam confiscadas.

No plano doméstico, a Amazon também tem sido criticada. Como lembra o The Verge, a organização da marcha do orgulho em Seattle, onde está a sede da empresa, cortou este mês todas as ligações com esta devido ao seu “apoio a políticos anti-LGBTQIA+” de, pelo menos mais de 450.000 dólares. “Simplesmente não podemos ser parceiros de qualquer organização que prejudique ativamente a nossa comunidade através do apoio a leis e políticas discriminatórias”, justificaram. E revelaram ainda que a Amazon teria oferecido uma verba de 100.000 dólares para que fosse destacado o seu patrocínio, o que passaria até por mudar o nome do evento para “Parada do Orgulho em Seattle apresentada pela Amazon”.

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