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Alzheimer: descoberta forma de eliminar primeiros sintomas

Uma equipa internacional coordenada pelo investigador português, Rodrigo Cunha descobriu como eliminar os primeiros sintomas de Alzheimer em modelos animais o que é considerado como um “avanço extraordinário” no combate à doença.
Foto Wellcome images/Flickr

A Universidade de Coimbra (UC) revelou que esta descoberta foi possível porque “pela primeira vez os cientistas focaram o estudo na causa dos primeiros sintomas da doença”, que são as perturbações na memória, causadas por modificações da chamada “plasticidade das sinapses no hipocampo”.

“O hipocampo desempenha um papel essencial na memória, funcionando como o gestor do gigantesco centro de informação recebida pelo cérebro. Das dezenas de milhões de sinais recebidos, o hipocampo tem de selecionar a informação relevante e validá-la, atribuindo-lhe uma espécie de ‘carimbo de qualidade’. Quando ocorrem falhas, este gestor assume que toda a informação é irrelevante”, revela uma nota da UC, citada pela Lusa.

Recuperação do sistema sináptico

Sendo as sinapses “as responsáveis pela transmissão de informação no sistema nervoso”, ao garantirem a comunicação entre neurónios, “a equipa utilizou um modelo animal duplo mutante - com a modificação de dois genes da proteína APP, que causam doença de Alzheimer em seres humanos - para rastrear toda a atividade destas ligações e identificar o que impede o hipocampo de processar e gerir corretamente” a informação obtida.

Os resultados desta investigação representam “um avanço extraordinário para o desenvolvimento de estratégias de combate à doença de Alzheimer, pois conseguiu-se recuperar o funcionamento sináptico”, sublinhou Rodrigo Cunha.

O investigador considera que, “do ponto de vista ético, é criticável se não se prosseguir para ensaios" em humanos e garante que estes são seguros para os doentes, tendo ainda acrescentado que em Coimbra há “todas as condições para avançar”, embora seja necessário assegurar financiamento.

Este estudo foi realizado ao longo de três anos pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e contou com a participação de 15 investigadores portugueses e franceses tendo sido financiado pelo Prémio Mantero Belard de Neurociências da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela Association Nationale de Recherche de França.

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