Filippo Grandi afirmou na reunião do Conselho de Segurança que, em mais de 30 anos como funcionário público internacional, nunca viu “tamanha toxicidade e linguagem venenosa [contra refugiados e migrantes] na política, nos media e nas redes sociais (…) e isso deve ser motivo de preocupação para todos”.
O alto comissário da ONU alertou para o número recorde de deslocados no mundo, pedindo ao Conselho de Segurança uma resposta determinada.
Segundo o ACNUR, 68,5 milhões de pessoas foram forçadas a fugir das suas casas, entre as quais quase 25,4 milhões são pessoas refugiadas e metade destas são menores com menos de 18 anos. “85% dos refugiados do mundo estão em países pobres ou de renda média. É aí que a crise mora”, frisou Filippo Grandi.
“Por meio do empenhamento e da vontade política, que vocês representam aqui ao mais alto nível, e com melhores respostas, consagradas no Pacto Global sobre Refugiados, é possível e urgente enfrentar essas crises. E vocês, que representam o Conselho de Segurança, têm um papel fundamental”, afirmou Grandi, considerando que as pincipais causas das crises são a falta de paz e de segurança.
“Dos quase 70 milhões de pessoas que estão deslocadas ou refugiadas, a maioria está a fugir de conflitos”, salientou o alto comissário. E acrescentou: “se os conflitos fossem evitados ou resolvidos, a maioria dos fluxos de refugiados desapareceria. Ainda assim, as abordagens de pacificação continuam fragmentadas e insuficientes para a construção da paz”.
Filippo Grandi destacou também a "muita solidariedade, até mesmo heroísmo em algumas das respostas fornecidas no terreno", citando os casos de aldeias africanas, da fronteira entre o Bangladesh e Myanmar, de muitas comunidades na América Latina que estão a ajudar os venezuelanos e realçou o exemplo da resposta da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, ao massacre de Christchurch. “A resposta do Governo do país deve ser vista como um bom exemplo de liderança eficaz e de como responder a uma realidade tóxica de forma firme e organizada”, frisou Grandi, segundo a Lusa.