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Alterações climáticas: “Resposta é mudar a economia e garantir justiça climática e social”

ONU prevê que os efeitos das alterações climáticas vão chegar mais cedo e com mais força que o até agora previsto. Não descurando a mudança de hábitos individuais, Nelson Peralta destaca que a causa das alterações climáticas reside no nosso modelo coletivo de organização, a economia.
O deputado Nelson Peralta na manifestação pelo clima de setembro de 2020. Foto Ana Mendes.

Reagindo ao Relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU, que prevê que os efeitos das alterações climáticas vão chegar mais cedo e com mais força que o até agora previsto, Nelson Peralta vinca a urgência de “mudar a economia e garantir justiça climática e social”.

“Se as políticas - portuguesa e global - eram insuficientes e desajustadas para o cenário anterior, neste novo trajeto mais severo estão ainda mais longe do necessário. A situação é ainda mais urgente já que as reduções de hoje têm efeitos daqui a 20-30 anos”, alerta o deputado do Bloco.

Nelson Peralta assinala que “não podemos esperar que o mercado resolva o problema que criou”. E lembra que insistir no comércio de carbono “é dar um prémio de milhares de milhões aos grandes poluidores, agravar os preços à população mais carenciada e não contribuir para a redução de emissões de estufa”.

Quanto à medida prevista no programa do governo de substituir os impostos do trabalho por fiscalidade verde, o dirigente bloquista afirma que a mesma equivale a "castigar novamente as populações com menos rendimentos" e “premiar com benefícios fiscais quem tem mais rendimentos”. “E, novamente, zero contributo para a redução de CO2”, aponta.

Nelson Peralta defende que aquilo de que, de facto, precisamos é de “reduzir as emissões e adaptar o território e criar emprego enquanto o fazemos. Redução efetiva de emissões nos sectores mais poluentes”.

“E que essa redução seja mesmo redução e não sirva para vender os direitos para outra empresa emitir mais. Mudar a forma como produzimos energia e, enquanto isso, combater a pobreza energética. Mudar a forma como nos movemos com transportes públicos, ferrovia e cidades de 15 minutos. E precisamos, claro, de proteger os sumidouros naturais de carbono”, acrescenta.

O caminho passa ainda por “adaptar”: “Temos um território para um clima que já não existirá. Não podemos ter uma floresta monoespécie para exportar papel agravando o risco de incêndio. Não podemos mudar a agricultura para regadio superintensivo de abacate e olival”, refere Nelson Peralta.

De acordo com o deputado, temos de “defender, com barreiras naturais, as populações costeiras em risco com a subida do mar”. “E, em caso de perdas e danos, iniciar desde já processos participativos para garantir o direito à habitação e à comunidade. Intervenção no edificado habitacional público e na habitação de pessoas em carência económica”, continua.

Não descurando a mudança de hábitos individuais, Nelson Peralta destaca que a causa das alterações climáticas reside "no nosso modelo coletivo de organização, a economia". Neste contexto, defende que a resposta é "mudar a economia e garantir justiça climática e social".

“E, nesse caminho, não podemos esquecer a dívida histórica para quem hoje não pode seguir o mesmo modelo de desenvolvimento”, remata.

 

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