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Alimentos contaminados matam 420 mil pessoas por ano

A investigadora em segurança alimentar, Sara Monteiro Pires, alerta para a necessidade de reportar casos de doenças transmitidas por alimentos que afetam todos os anos uma em cada dez pessoas.
"É preciso conhecer o impacto na saúde pública causada pelos alimentos contaminados", afirma Sara Monteiro Pires. Foto MB/Visão

Para a investigadora “este problema tem um impacto a nível mundial e não há conhecimento suficiente sobre as suas consequências ao nível da saúde das populações”, disse à agência Lusa.

Sara Monteiro Pires que é especialista em avaliação de risco em segurança alimentar e saúde pública na Dinamarca, onde trabalha há 10 anos, foi uma das 100 especialistas convidadas em 2006, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com o objetivo de avaliar a ”carga de doença” das infeções transmitidas pelos alimentos.

“A mais valia deste estudo, referiu à Lusa, é que finalmente a OMS pode dar conselhos, chamar a atenção para as prioridades nas diferentes regiões do mundo em relação a doenças de origem alimentar, como por exemplo, quais os agentes que estão a causar mais doenças, em termos de incidência, mortalidade e perda de qualidadde vida e quais as diferenças de região para região”.

De acordo com esta cientista, “a OMS estabeleceu este grupo de trabalho quando reconheceu não existir informação suficiente sobre as consequências na saúde pública das diferentes doenças transmitidas pelos alimentos”.

entre as pessoas afetadas por doenças transmitidas por alimentos, 420 mil morrem sendo que 125 mil são crianças com menos de cinco anos.

No relatório da OMS intitulado “ Estimativas da Carga Global das Doenças Provocadas por Alimentos”, pode ler-se que " entre as pessoas afetadas por doenças transmitidas por alimentos, 420 mil morrem sendo que 125 mil são crianças com menos de cinco anos.

Em relação a esta problemática, a investigadora portuguesa sublinha ainda que “ só conhecemos a ponta do icebergue da verdadeira carga da doença, porque a maior parte dos que ficam doentes com uma intoxicação alimentar não vai ao médico e se for não faz análises e assim os agentes da doença não são reconhecidos”.

“Desta forma, afirma Sara Monteiro Pires, estamos perante um cenário que se traduz em muitos anos de vida perdidos, seja por morte prematura, ou porque as pessoas ficam incapacitadas”.

O indicador “Disability Adjusted Life Year” (DALY) é utilizado pela OMS para transmitir os resultados do estudo e “só esta medida permite comparar doenças tão díspares com diarreias ou cancro", adiantou Sara Monteiro Pires que apontou ainda a "necessidade de reconhecer a importância das doenças transmitidas pelos alimentos, acima de tudo pela população, mas também pela comunidade médica”.

No que diz respeito a Portugal, a investigadora considera que “se trabalha para reagir no fim da cadeia alimentar e tentar assegurar que o consumidor tem acesso a alimentos seguros para poder reduzir a doença” sublinhando, entanto, que “este tipo de prevenção exige estratégias de controlo ao longo de toda a cadeia alimentar para se saber quais os agentes que causam mais doenças na população e os alimentos que as transmitem”.

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