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Algarve só tem água até ao final deste ano

A região só tem água até dezembro e as autoridades admitem criar uma cota a partir da qual a água das barragens é reservada ao abastecimento público. Situação seria ainda pior se não tivesse ocorrido uma quebra no consumo.
Água junto à barragem de Odelouca, no Algarve.
Água junto à barragem de Odelouca, no Algarve. Fotografia de Ben Freeman/Flickr.

O Algarve conta atualmente com água apenas até ao mês de dezembro e a situação poderia ser ainda pior. Não só uma redução de 9% no consumo de água permitiu estender as provisões até dezembro, como a utilização de água da barragem do Funcho, em Silves, para abastecer as populações, tendo permitido ainda aumentar o volume na barragem de Odelouca.

O Jornal de Notícias fez saber que as autoridades consideram a possibilidade de, a partir do momento em que as albufeiras de Odeleite e Beliche atinjam uma determinada cota, a água aí captada só possa ser usada para abastecimento público. O jornal chegou a esta informação através dos dados que constam no relatório de junho do grupo de trabalho responsável pela assessoria técnica da Comissão Permanente da Seca. 

Analisados os volumes armazenados e tendo em conta os consumos e perdas dos sistemas previstos, os peritos avisam que, "no final de junho, a situação em termos de disponibilidades de água superficial [...] permitem apenas assegurar os consumos estimados durante o ano civil de 2020”, noticia o JN.

Pimenta Machado, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), afirma que “todos os consumos estão assegurados até ao final do ano”. Em declarações ao JN, o representante da APA lembra que a situação poderia ser pior: a "redução de 9% no consumo em julho face a igual mês do ano passado veio dar maior resiliência ao sistema de águas do Algarve".

As albufeiras de fins múltiplos de Odeleite e Beliche estão a 32,1% e 39,1% da sua capacidade, respetivamente, o que torna a região do Sotavento algarvio aquela que se encontra numa situação mais grave. 

O relatório de junho da Comissão Permanente da Seca sugere a possibilidade de, em cenário de prolongamento da seca, se adotarem medidas como a "definição de cota mínima de captação para todos os usos que não tenham por finalidade o abastecimento público”. Nada disto está garantido, mas a avançar, significaria que a partir do momento em que se atinja a cota definida para as albufeiras de Odeleite e Beliche, a água que ali existe é exclusiva para consumo humano. O Aproveitamento Hidráulico Odeleite-Beliche se destina ao abastecimento de água ao Sotavento e à rega de cerca de oito mil hectares de solos agrícolas.

Para além da redução do consumo, a utilização da barragem do Funcho como reserva estratégica para abastecimento público, conservando Odelouca, revelou-se “fundamental”, afirma Pimenta Machado. No final de julho, a albufeira de Odelouca estava a 55%, depois de chegar aos 35% em novembro do ano passado.

Segundo o IPMA, 2020 está a ser o ano mais quente desde que há registos em Portugal. Há 90 anos que não se registava um período de janeiro a julho tão quente como o presente.

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