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Álcool responsável por aumento da taxa de criminalidade rodoviária

O relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e das Dependências (SICAD) indica que das 142 vítimas de acidentes de viação que estavam alcolizadas, 77 por cento eram condutores.
Foto de João Victor Marques/Flickr
Foto de João Victor Marques/Flickr

O estudo intitulado “A situação do país em matéria de álcool ”engloba dados do Instituto de Medicina Legal (IML) e revela que dos 644 óbitos positivos para o álcool registados em 2015, 38 por cento ficaram a dever-se a acidentes, 32 por cento a morte natural enquanto 13 por cento foram resultado de atos suicidas e 6 por cento por intoxicação alcoólica.

Os resultados demonstram ainda que cerca de 51 por cento dos 37 óbitos atribuídos a intoxicação alcoólica apresentaram resultados positivos só para o álcool e que em 35 por cento dos casos foram detetados álcool e medicamentos, nomeadamente pertencentes à família das benzodiazepinas.

No que diz respeito aos óbitos por acidentes de viação, é referido que das 142 vítimas de acidentes de viação que estavam sob a influência do álcool, cerca de 77 por cento eram condutores, 17 por cento peões e 6 por cento passageiros. Por seu turno, 71 por cento das vítimas tinha uma taxa de álcool no sangue de 1,2 gramas por litro.

O relatório adianta ainda que no âmbito da criminalidade rodoviária, em 2015 registaram-se 22 873 crimes por condução com taxa de alcoolemia superior a 1,2g/l, representando um aumento de 10% em relação a 2014 e invertendo a tendência de queda verificada nos dois anos anteriores.

No mesmo período, revela o relatório, ocorreram em Portugal Continental 5.487 episódios de internamentos hospitalares (altas hospitalares) com diagnóstico principal atribuível ao consumo de álcool, que na sua maioria estavam relacionados com doença alcoólica do fígado (66 por cento),sobretudo cirrose alcoólica (52%) e o síndromo de dependência alcoólica (21 por cento).

De acordo com esta análise, nos últimos quatro anos registou-se uma diminuição contínua no número destes internamentos: menos 5 por cento em relação a 2014, menos 12 por cento em relação a 2013 e menos 21 por cento em relação a 2012, mas se se tiver em consideração para além do “diagnóstico principal também os secundários, o número de internamentos atribuíveis ao álcool é bastante superior (34.512) e tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos”, sublinha o documento.

Em Portugal continental, a totalidade dos internamentos relacionados com o consumo de álcool representaram, em 2015, cerca de 0,34 por cento e 2,13 por cento, consoante se considere apenas o diagnóstico principal ou também os secundários.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), que é referido no estudo, em 2014 registaram-se em Portugal 2.350 óbitos por doenças atribuíveis ao álcool, o que representa 2,23 por cento do total de óbitos, registando assim um aumento ligeiro de mais 2 por cento em relação a 2013.

“A maioria era do sexo masculino (81 por cento). A taxa de mortalidade padronizada para todas as idades foi de 16,2 óbitos por 100 mil habitantes, sendo inferior abaixo dos 65 anos (11,7) e bastante superior nos 65 e mais anos (53)”,  sublinha o relatório.

Já em matéria de criminalidade de uma forma direta com o consumo e bebidas alcoólicas, o relatório nota que se registaram 22.873 crimes por condução com uma taxa superior a 1,2g/l, representando 46 por cento do total de crimes contra a sociedade e 6 por cento da criminalidade registada em 2015.

O panorama nos centros educativos

Segundo o relatório, os jovens internados em centros educativos revelaram em 2015 uma “prevalência de consumo de bebidas alcoólicas e padrões de consumo novicos superiores às de outras populações juvenis”.

Nesta análise estatística pode ler-se que estes jovens apresentavam, no período anterior ao do internamento, uma “prevalência de consumo de bebidas alcoólicas, e sobretudo padrões de consumo nocivo, superiores às de outras populações juvenis”.

Desta forma, os dados recolhidos indicam que cerca de 93 por cento de inquiridos já tinham consumido bebidas alcoólicas, sendo que 82% o fizeram nos últimos 12 meses e 72 por cento últimos 30 dias antes do internamento.

O relatório faz no entanto notar que “com o início do internamento constata-se uma redução drástica destas práticas, com 10 por cento, 14 por cento e 5 por cento dos jovens a declararem ter tido consumos binge, ou ficado alegres, ou em estado de embriaguez severa, nos últimos 30 dias do internamento".

Os dados constantes do documento do SICAD realçam a “significativa diminuição destes consumos com o início do internamento – 32 por cento e 23 por cento nos últimos 12 meses e últimos 30 dias e ainda mais quando se restringe ao Centro Educativo com 10 por cento e 7 por cento.

As bebidas alcoólicas mais consumidas nos 12 meses antes do internamento foram as espirituosas e a cerveja, e a maioria dos inquiridos (61 por cento) e 67 por cento dos consumidores disseram que habitualmente consumiam, numa mesma ocasião, álcool com pelo menos outra substância psicoativa.

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