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Água da chuva em todo o mundo está contaminada por substâncias químicas

Estudo da Universidade de Estocolmo explica que a presença das chamadas "substâncias químicas eternas" na chuva e na neve de regiões recônditas como a Antártida ou o planalto tibetano se deve aos processos naturais que os devolvem continuamente à atmosfera.
Foto de Pexels - Public Domain Pictures.

O estudo divulgado pela revista científica Environmental Science & Technology, e citado pela Página 12, alerta que um conjunto de contaminantes produzidos em grandes quantidades pelo ser humano, denominados perfluoroalquilados e polifluoroalquilados (PFAS), são perigosos para a saúde humana e os ecossistemas, já que a sua toxicidade é persistente e se estendem pela atmosfera.

Estas substâncias químicas tóxicas estão presentes na chuva e na neve de regiões recônditas como a Antártida ou o planalto tibetano devido aos processos naturais que os devolvem continuamente à atmosfera.

Os investigadores asseguram que o limite planetário destes compostos químicos, que se encontram em produtos têxteis, pinturas, caixas de pizza, produtos de limpeza ou na espuma para combater incêndios, foi superado.

Ian Cousin, autor principal da investigação, apontou que ainda se desconhecem "os efeitos na saúde humana da exposição aos PFAS". No entanto, a agência espanhola de Serviço de Informação e Notícias Científicas (SINC) refere que estas substâncias estão associadas a uma ampla gama de danos graves para a saúde como cancro, problemas de aprendizagem e comportamento nas crianças, infertilidade, complicações na gravidez, aumento do colesterol e problemas do sistema imunitário.

Os efeitos da exposição às substâncias químicas tóxicas será, de acordo com Cousin, “desigual segundo o país ou a região", mas os mais prejudicados são aqueles que vivem para perto de pontos de contaminação como "fábricas ou bases militares, onde se utilizam espumas contra incêndios".

O investigador realçou que é necessário “um nível de consciencialização similar ao da contaminação por plásticos" e lembrou que em muitas regiões do planeta a água da chuva é utilizada para beber e abastece muitas das nossas fontes de água potável.

Já Jane Muncke, diretora geral da Food Packaging Forum Foundation, em Zurique, assinalou que "as despesas substanciais necessárias para reduzir os PFAS na água potável a níveis seguros, segundo os conhecimentos científicos atuais, devem ser pagas pela indústria que produz e utiliza estas substâncias químicas tóxicas".

"Podemos fazer muito pouco para reduzir a contaminação pelos PFAS"

Conforme escreve o Meteored, os PFAS são contaminantes químicos desenvolvidos na década de 1940. Devido às suas propriedades únicas, incluindo a sua capacidade de repelir água e óleo e a sua resistência à temperatura, os mesmos foram utilizados numa variedade de produtos, desde utensílios de cozinha não aderentes a cosméticos.

Não só estes “produtos químicos eternos” contaminantes se movem através do solo e da água, e se podem acumular na vida selvagem, como são respirados pelos seres humanos e podem entrar na corrente sanguínea.

Martin Scheringer, um dos autores da investigação citado pelo Meteored, diz que “devido à propagação global dos PFAS, os valores ambientais em toda a parte excederão as diretrizes de qualidade concebidas para proteger a saúde humana, e podemos fazer muito pouco para reduzir a contaminação pelos PFAS".

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