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Advogados de Chelsea Manning recorrem da condenação

“Nenhum denunciante na história americana foi condenado tão duramente”, referem os advogados de Manning, condenada a 35 anos de prisão militar por ter entregue ao Wikileaks documentos que revelaram um número de mortes civis bem maior que o admitido pelos EUA nas guerras do Iraque e Afeganistão.
Foto Timothy Krause/Flickr

Chelsea Manning – então conhecida por Bradley – foi condenada por ter passado ao Wikileaks centenas de milhares de documentos que permitiram conhecer melhor o resultado das guerras travadas pelos EUA no Iraque e Afeganistão. Foi detida numa prisão militar e acusada ao abrigo da Lei de Espionagem, o que a impede de apresentar como argumento de defesa o interesse público das suas revelações. O tratamento dado a Manning foi uma das razões principais apontadas por Edward Snowden para não regressar aos Estados Unidos.

Esta quinta-feira, os advogados de Chelsea Manning entregaram um recurso da condenação a 35 anos numa prisão militar, que põe em causa os “efeitos altamente prejudiciais” que a acusação diz terem resultado da divulgação dos documentos, sem no entanto apontar algum exemplo desse alegado prejuízo.

Segundo o site Intercept, a American Civil Liberties Union associou-se ao recurso com um parecer a defender a inconstitucionalidade de acusar um denunciante (em inglês, ‘whistleblower’) ao abrigo da Lei de Espionagem, alegando que isso “fornece ao governo um instrumento para perseguição seletiva”.

Um dos exemplos citados no parecer da ACLU é o do ex-general e antigo diretor da CIA David Petraeus, que forneceu oito cadernos com informação confidencial à sua biógrafa, com quem mantinha uma relação sentimental. O militar foi apanhado mas não foi acusado ao abrigo da Lei de Espionagem, tendo chegado a um acordo com a justiça norteamericana para pagar 100 mil dólares de multa e dois anos de pena suspensa.

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