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Adolescentes portugueses andam mais cansados e sobremedicados

Um inquérito online a sete mil estudantes do 6º, 8º e 10º ano de 42 escolas portuguesas concluiu que quase um terço não gosta da escola e um quinto diz sentir-se exausto todos os dias.
Foto de Paulete Matos

O estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) é feito em 44 países e coordenado em Portugal pela investigadora Margarida Gaspar de Matos, da Universidade de Lisboa.

Uma das conclusões do inquérito mais recente é o aumento do número de adolescentes que dizem ir com fome para a escola ou a cama, por falta de comida em casa. “Fica aqui o alerta. Não estamos num país que se possa permitir ter crianças com fome”, afirmou a investigadora à Antena 1. Mas questionada pelo jornal Público, colocou algumas reticências nestas conclusões: “É verdade que há mais rapazes do que raparigas a dizerem-se com fome e pode ser a ‘fome de crescimento’ que os levou a responder sim à pergunta”. Outra explicação que avança para o aumento das repostas positivas, que duplicaram em relação ao estudo de 2014, é que “as pessoas deixaram entretanto de beneficiar dos incentivos alimentares que as escolas davam [nos piores anos da crise] a todos os miúdos".

29.6% dos adolescentes inquiridos dizem que não gostam da escola. Entre os aspetos negativos apontados, é a comida no refeitório que recolhe uma opinião negativa maioritária (58.3%), enquanto as aulas são apontadas por 35.3% dos inquiridos.

Em matéria de dificuldades na aprendizagem, a grande maioria diz que a matéria dada nas aulas é demasiada (87.2%), aborrecida (84.9%) e difícil (82%). A avaliação é considerada “um stresse” para 77% e mais de metade diz que os pais pressionam para terem boas notas.

O consumo de medicação não prescrita por médicos é uma realidade para um quarto dos inquiridos, enquanto um quinto toma antidepressivos e medicamentos psicotrópicos para acalmar e adormecer. “Mais de metade [52,6%] tomou remédios para a dor de cabeça, um quarto [25,2%] para as dores de estômago, 16,5% para as dores de costas, 11,2% para o nervosismo, 9% para as dificuldades em adormecer!", exclamou a investigadora na entrevista ao Público. A estes números há que somar os 7,6% que tomaram medicamentos para aumentar a memória e a concentração e os 6,5% que tomaram remédios para a tristeza, acrescenta o jornal.

Apesar dos problemas com que se defrontam no quotidiano, 81.7% dos adolescentes considera-se “feliz”, enquanto quase 6% dizem estar tão tristes que não aguentam e 27.6% afirmam sentir-se preocupados “todos os dias, várias vezes por dia”.

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