Administração do grupo Dia apoia OPA de magnata russo

10 de April 2019 - 16:22

Em março, a administração foi derrotada em assembleia de acionistas, que maioritariamente apoiou o plano do magnata russo Mikhail Fridman, que lançou uma OPA para ficar com a maioria do capital. O grupo tem mais de 40 mil trabalhadores e, em Portugal, mais de 3.500.

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Grupo Dia tem em Portugal mais de 3.500 trabalhadores
Grupo Dia tem em Portugal mais de 3.500 trabalhadores

Em comunicado, a administração do grupo Dia declara que a OPA do fundo luxemburguês LetterOne do russo Mikhail Fridman é a “melhor alternativa” para as dificuldades, segundo refere a Lusa, e alerta para os “altos riscos” da situação em que o grupo está, podendo no caso de falhanço da OPA “levar à perda total do investimento” para os acionistas.

O fundo detém já 29% do capital e lançou a OPA sobre o restante capital do grupo a 67 cêntimos por ação, com o objetivo de ganhar o controle de pelo menos 64,5% do grupo. Fridman promete investir 500 milhões de euros no grupo, pretende que os bancos credores aceitem uma moratória até 2023 ao pagamento das dívidas do grupo, mais de 700 milhões de euros, e quer vender a Clarel e a Max Descuento.

A administração do grupo Dia, que é liderada por Borja de la Cierva, tinha apresentado outro plano na última assembleia de acionistas, realizada em março passado, que passava por um aumento de capital de 600 milhões de euros, mas a proposta foi derrotada pela assembleia-geral de acionistas, tendo sido aprovado o plano de Fridman.

A situação do grupo Dia é difícil, tendo terminado 2018 com perdas de 352,58 milhões de euros e um património líquido negativo de quase 100 milhões de euros. O capital próprio negativo terá de ser ultrapassado obrigatoriamente até 20 de maio, dois meses após a assembleia de acionistas.

No comunicado, a administração alerta que em 22 de julho vence uma emissão obrigacionista de 306 milhões de euros e revela que a situação do Dia continua a agravar-se. No primeiro trimestre de 2019, as vendas caíram 4,3% no global e 4,4% em Espanha. As vendas do grupo têm vindo a cair nos últimos anos, tendo baixado de 9.000 milhões de euros em 2015 para 7.288 em 2018.

O grupo tem atualmente mais de 6.000 lojas e mais de 40.000 trabalhadores em Espanha, Portugal (estabelecimentos Minipreço e Clarel), Brasil e Argentina. As ações do Dia estavam cotadas há cerca de uma ano em 3,5 euros e atualmente está em 0,66 euros.

Borja de la Cierva é o administrador executivo (CEO) do grupo desde o final de 2018 e tem o ordenado fixo anual de 600.000 euros.

Segundo o Público, o grupo tinha, em setembro de 2018, 634 lojas em Portugal (307 lojas próprias e 327 franchisadas) e, no site na internet anuncia-se que a cadeia Minipreço tem “mais de 3.500” trabalhadores. Em Portugal, o grupo detém as marcas Minipreço, Clarel e Mais Perto e o plano de Fridman prevê a alienação das drogarias Clarel.

O sindicato dos trabalhadores do comércio, escritórios e serviços de Portugal (CESP) diz que, em 2018, as desigualdades salariais entre os trabalhadores se agravaram, que os horários de trabalho ficaram piores e a repressão e perseguição aos trabalhadores aumentou nas lojas e armazéns de Dia, Minipreço e Clarel.