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Adeptos do Estoril revoltam-se e jogador ligado à extrema-direita não foi contratado

Roman Zozulya é um jogador ucraniano de 31 anos conotado com grupos de extrema-direita, paramilitares e neo-nazis. Os adeptos do Rayo Vallecano impediram a sua contratação em 2017. Este ano foi a vez do mesmo acontecer com o Alcórcon e o Estoril.
Montagem com duas das fotos do jogador que circulam nas redes sociais. Fonte: Twitter.
Montagem com duas das fotos do jogador que circulam nas redes sociais. Fonte: Twitter.

Depois dos protestos dos adeptos do Rayo Vallecano e dos do Alcórcon, foi a vez dos do Estoril. E o resultado foi o mesmo. Roman Zozulya, um jogador ucraniano de 31 anos, tem sido conotado com grupos neonazis e, por isso, gerado oposição por onde passa.

Sem clube, depois de uma passagem mal sucedida pelo Albacete, nesta pré-época foi anunciado no Alcórcon. Só que a resposta dos adeptos impediu o negócio de avançar. A seguir foi a vez da imprensa desportiva nacional o anunciar como em vias de contratação pelo Estoril, um clube cuja SAD tem como acionista maioritária a MSP Sports Capital que gere também o Alcórcon.

Depois de nas redes sociais também terem sido publicadas várias mensagens de protesto e desse mal-estar ter chegado à comunicação social, o jornal A Bola informou que afinal o futebolista foi contratado pelo Fuenlabrada, uma equipa da 2ª Liga espanhola, ligando a desistência da contratação pelo Estoril Praia ao “mal-estar” gerado pelo anúncio da contratação. Isto apesar da direção do clube não ter reagido oficialmente.

Bukaneros contra Zozulya

O primeiro clube em que o futebolista ucraniano enfrentou resistência foi o Rayo Vallecano em 2017. Contratado em janeiro, não foi bem recebido pelos Bukaneros, a claque antifascista do clube. O clube madrileno acabou por desistir do jogador mas os adeptos não se esqueceram dele. Em dezembro de 2019, quando Zozulya jogava pelo Albacete, a sua equipa recusou-se a voltar a entrar em campo depois do intervalo devido aos protestos dos Bukaneros que exibiam faixas a dizer “Vallecas é liberdade. Zozulya não és bem-vindo” e cantavam que ele era nazi.

Apesar de aparecer mal na fotografia, Zozulya insiste que é “apolítico”

As ligações do jogador à extrema-direita são recordadas por várias fontes. Por exemplo o Jornal de Notícias, ao contar a história de como foi corrido de Vallecas lembra que “Roman nunca escondeu ser adepto da corrente nacionalista”, que “nunca escondeu a simpatia pela extrema-direita ucraniana nem se coibiu de tomar posição contra o grande vizinho da Rússia”, que “frequentemente, posou com personalidades controversas da extrema-direita ucraniana, amigas da ideologia nazi, que o craque tem por "combatentes da liberdade".”

Roman Zozulya continua, contudo, a dizer que é um “patriota orgulhoso”, “apolítico e contrário a todas as ideologias”. Não é o que parece pela sua atividade nas redes sociais quando estava na Ucrânia. A foto mais conhecida é aquela em que está com uma espingarda e uma camisola do grupo paramilitar de extrema-direita Pravy Sektor. Outra que não passou despercebida é aquela em que pousa junto de uma fotografia de Stepan Bandera, o histórico líder nacionalista antissemita ucraniano da primeira metade do século XX que foi colaboracionista do nazismo. O grupo que liderava participou mesmo em massacres de judeus. Há ainda outra foto em que surge sorridente com uma camisola com o número 18 e a apontar para um placard com os números 14-88, duas referências neo-nazis. O número 14 é utilizado porque ser o número de palavras utilizado pelo supremacista norte-americano David Lane na frase “devemos garantir a existência dos nossos indivíduos e um futuro para os jovens brancos. O número 88 é usado como uma referência a “Heil Hitler” já que o H é a oitava letra do alfabeto. O número 14 também é por vezes utilizado como referência a Adolf Hitler. @zozulyaroman18 era o nome que utilizava no Twitter numa conta entretanto inativa.

Para além disso, explica o El Mundo, os serviços de inteligência ucranianos confirmam que é cofundador da “Fundação Narodna Ármiya” que organiza uma milícia de extrema-direita que combateu na guerra em Donbass contra a Rússia. Também pousou numa foto com os dirigentes deste grupo que se tornou viral.

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