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Açores: “PS está eivado de um sentimento de impunidade e prepotência”

Zuraida Soares afirmou que um bom resultado para o Bloco “é sempre crescer em número de votos e representatividade parlamentar” e que o fim da maioria absoluta faria “muito bem” ao PS.

A coordenadora do Bloco Açores e cabeça de lista por São Miguel às eleições regionais de 16 de outubro afirmou esta terça-feira em entrevista à Lusa que “o PS, ao fim de 20 anos de governação, está eivado de um sentimento de impunidade, prepotência, incapacidade de diálogo e imposição da sua vontade”, tendo acrescentado que “lhe fazia muito bem um exercício de humildade democrática que o obrigasse a dialogar com outros partidos”.

o PS, ao fim de 20 anos de governação, está eivado de um sentimento de impunidade, prepotência, incapacidade de diálogo e imposição da sua vontade

A dirigente bloquista sublinhou ainda que os Açores "estão pior”, tendo sublinhado que esta situação é uma consequência não só das “más políticas, omissas, hesitantes”, mas fica também a "dever-se à situação nacional e europeia”.

E deu como exemplo a agricultura onde referiu que “após anos de investimento, há mais de 60% das explorações falidas”, e também as pescas.

Desemprego “mascarado”

Independentemente de a região ter a maior Zona Económica Exclusiva do país e da Europa, os pescadores recebem “salários de miséria”, avançou Zuraida Soares, tendo ainda chamado a atenção para os números do desemprego nos Açores que disse estarem “mascarados” pelo governo regional uma vez que “um ocupado não é um empregado”.

“Venho de uma geração que foi do proletariado. Neste momento confrontamo-nos com a geração do precariado e agora temos a geração do ‘ocupariado’, que não é nem trabalhador, nem operário, nem precário, não é nada, não existe, não tem direitos”, afirmou, tendo salientado que o Bloco “não é contra os programas ocupacionais, mas defende maior fiscalização”.

Sobre a disponibilidade de o Bloco Açores para protagonizar uma solução de governo idêntica à existente no continente, Zuraida Soares disse que a situação política existente na região “ é completamente diferente” não tendo antecipado qualquer cenário pós-eleitoral.

“Agora é o momento dos partidos dizerem ao que vêm. Depois é o momento dos eleitores se pronunciarem e daquilo que resultar dessa avaliação no dia 17 de outubro o Bloco está aqui, como esteve na República com a máxima responsabilidade, com a máxima atenção aos problemas e necessidades dos açorianos e açorianas para dialogar com quem quer que seja”, disse a candidata para quem “esta permanente bipolarização” entre PS e PSD “não tem trazido assim tanta coisa de positivo” ao nível do emprego, combate à precariedade, pobreza, desigualdades sociais, sustentabilidade dos setores primários, entre outros aspetos.

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