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Açores: Bloco quer ouvir Governo e hospitais sobre falta de acesso a IVG

Os hospitais dos Açores deixaram nos últimos anos de realizar interrupções voluntárias da gravidez, encaminhando as mulheres que recorrem ao SNS para clínicas no Continente, o que na prática dificulta ainda mais o acesso que a lei devia garantir.
Hospital da Horta.
Hospital da Horta. Foto Governo dos Açores.

O Bloco de Esquerda enviou esta terça-feira um requerimento ao parlamento regional a propor a audição da secretária regional da Saúde e de responsáveis por cada um dos três hospitais da Região relativamente aos problemas relacionados com a realização do procedimento de Interrupção Voluntária da Gravidez, cujo acesso continua a ser muito difícil para as mulheres nos Açores.

"Recentemente, uma reportagem do Diário de Notícias revelou aspetos preocupantes relacionados com o processo de IVG no Serviço Regional de Saúde e a reação do Governo Regional, através de um comunicado, não foi suficientemente esclarecedora", apontam os bloquistas açorianos. Por essa razão, o Bloco de Esquerda/Açores pretende ouvir de viva voz a responsável política pelo Serviço Regional de Saúde e os responsáveis em cada um dos hospitais da Região pela operacionalização da IVG.

"O direito à IVG foi conquistado em Portugal em 2007. Dezasseis anos depois, nos Açores, as mulheres ainda têm muita dificuldade em aceder a este direito consagrado na lei", refere a nota divulgada pelo Bloco Açores, lembrando que "o hospital da Terceira nunca realizou IVG, o Hospital da Horta deixou de realizar este procedimento no passado mês de outubro e o Hospital de Ponta Delgada deixou de as realizar no final de 2021 por decisão da anterior administração – tendo as consultas de IVG sido retomadas apenas este mês".

Quanto à alternativa encontrada pelo Serviço Regional de Saúde para contornar o facto de não serem realizadas IVG na Região, o encaminhamento das mulheres dos Açores para uma clínica privada no Continente, o Bloco entende que se trata de "uma solução que comporta inúmeros problemas, entre os quais o cumprimento dos procedimentos exigidos por lei dentro do período de 10 semanas de gestação em que a IVG é permitida, mas também a falta de privacidade da mulher, que tem que se ausentar da sua ilha durante uma semana, e até dificuldades financeiras devido ao elevado custo de vida em Lisboa, onde se situa a clínica privada".

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