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ACNUR reage à suspensão da entrada de refugiados nos EUA

A ordem assinada por Donald Trump esta sexta-feira suspende os atuais programas de acolhimento. A embaixadora dos EUA na ONU avisou que irá “apontar nomes” de quem não apoiar as posições de Washington.
Foto Martine Perret/ Nações Unidas/Flickr

Num comunicado conjunto, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados e a Organização Internacional para as Migrações lembram que “as necessidades dos refugiados e migrantes em todo o mundo nunca foram tão grandes e o programa dos EUA para o acolhimento de refugiados é um dos mais importantes do mundo”.

As organizações destacam que todos têm a ganhar com o acolhimento: os refugiados veem a sua vida salva e enriquecem e fortalecem as sociedades que os acolhem. O ACNUR e a OIM dizem-se dispostos a continuar a trabalhar com a administração de Washington e esperam que os EUA “prossigam a sua forte liderança e longa tradição de proteger aqueles que fogem de conflitos e perseguições”, sem discriminação de religião, nacionalidade ou raça.

A ordem assinada por Donald Trump suspende por quatro meses a entrada de refugiados no país, enquanto prepara um novo sistema de triagem de refugiados oriundos de países de maioria muçulmana que dê prioridade a minorias religiosas. Para este ano estava previsto o acolhimento de 100 mil refugiados, número que deve cair para metade.

O sistema de triagem vigente para a entrada de refugiados sírios já é bastante complexo, envolvendo a recolha de dados biométricos e entrevistas pessoais, um processo que dura entre nove meses a dois anos até ser concluído. Dos cerca de 15 mil refugiados sírios acolhidos em 2016 nos EUA, a grande maioria foram mulheres e crianças.  


Embaixadora na ONU lança aviso ao resto do mundo

Numa curta declaração feita esta sexta-feira sem direito a perguntas dos jornalistas, a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, prometeu que “vão assistir a mudanças na forma como agimos”.

“Iremos mostrar a nossa força, a nossa voz, apoiar os nossos aliados e garantir que os nossos aliados nos apoiam também”, prosseguiu a embaixadora, ameaçando em seguida quem não o fizer: “Quanto aos que não nos apoiarem, vamos apontar os nomes e dar respostas à altura”, disse Haley.

Um esboço de um futuro decreto de Trump sobre a ONU, na posse do New York Times, propõe um corte de 40% no financiamento que os EUA dão a vários programas no âmbito das Nações Unidas. Este valor não inclui a doação a que está obrigado a fazer para o funcionamento das Nações Unidas e que representa cerca de 22% do orçamento da instituição.

A embaixadora tinha afirmado na audição a que foi sujeita no Senado que não favorecia uma política de cortes cegos nas contribuições para a ONU, mas deixou a pergunta no ar: “Será que estamos a obter aquilo que pagamos?”

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