Entre o início do ano e o final de julho morreram em Portugal 62 trabalhadores em acidentes de trabalho, uma média de duas mortes por semana, de acordo com os dados da Autoridade para as Condições do Trabalho.
Segundo dá conta o Jornal de Notícias esta terça-feira, o setor da construção civil é o mais perigoso com mais acidentes de trabalho e mais mortes. É responsável por 30 das 62 mortes ocorridas este ano. E tem sido igualmente a atividade laboral mais perigosa ao longo dos últimos anos: no ano passado tinham sido 49 mortes, em 2020 foram 41, em 2019 foram 38.
A seguir, o pior setor foi o da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca com oito mortes e os setores do comércio por grosso e a retalho e da reparação de automóveis e motociclos com sete. No quadro das categorias profissionais mas sacrificadas destacam-se os operários, artífices e trabalhadores similares, com 18 mortes, e os trabalhadores não qualificados, com 12. Há, porém, 19 outros trabalhadores mortos que não foram classificados, estando em averiguação.
O número total de mortes em 2022 é menos elevado do que em período análogo de anos anteriores: em 2021 tinham existido 95 vítimas fatais de acidentes de trabalho, no ano anterior 77 e 78 em 2019. Se as contas forem feitas ao conjunto dos anos, em 2021 houve 135 trabalhadores mortos em acidentes de trabalho, 136 em 2020 e 124 em 2019.
Quanto ao total de acidentes graves contabilizaram-se 131 neste ano até julho, 43 na construção, contrastando com os 533 do ano anterior.
Dado este panorama, aquele jornal questionou o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, que pede medidas urgentes para acabar com o trabalho clandestino controlado por “redes mafiosas” e qualificar a mão de obra, e fiscalização mais eficaz. Para ele, esta tem vindo a ser concentrada nas grandes obras mas “80% dos acidentes de trabalho” não acontecem nestas.
O sindicalista alerta que são precisos mais 90 mil trabalhadores no setor e que o número de mortes pode vir a aumentar se tudo continuar na mesma.