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Ação da polícia agravou violência nos protestos antirracistas de Nova Iorque

Apesar de as manifestações contra o homicídio de George Floyd e a violência policial nos EUA terem sido maioritariamente pacíficas, um relatório do Departamento de Investigação Interna de Nova Iorque indica que a ação policial contribuiu para exacerbar a tensão e violência.
Manifestação do movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos da América.
Manifestação do movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos da América. Fotografia de Kelly Kline/Flickr.

De acordo com um relatório do Departamento de Investigação Interna de Nova Iorque, a polícia da cidade e Bill de Blasio, o “mayor” eleito pelo Partido Democrática, exacerbaram a tensão que deu origem aos protestos antiracistas dos últimos meses, ao invés de trabalharem para a reduzir.

O documento de 111 páginas critica a polícia nova iorquina por ter aplicado a lei com "excesso de força", utilizando "táticas agressivas" e violando a "liberdade de expressão de manifestantes" que saíram às ruas devido à morte de George Floyd, na sequência da ação da polícia de Minneapolis, no estado do Minnesota, em 25 de maio deste ano.

"Alguns polícias realizaram ações que são, no mínimo, antiprofissionais ou que, pior, mostram abuso de autoridade e força injustificada", indica o relatório citado pela agência Lusa, dando o exemplo de métodos como o "controlo desordenado", que aumentam a tensão.

Para os relatores do Departamento de Investigação Interna, o executivo de Nova Iorque e a polícia não tinham uma "estratégia clara para responderem a protestos em grande escala", principalmente no caso em que a polícia é o alvo dos protestos, e "exacerbarem a tensão", em vez de a reduzirem.

Embora a maioria das manifestações e manifestantes tenha sido pacífica, como aliás o indicam outros relatórios, a polícia de Nova Iorque não terá feito qualquer distinção entre manifestantes pacíficos e as pessoas que procuravam violência. Agentes da polícia terão agredido manifestantes pacíficos, recorrendo a murros e técnicas de estrangulamento, e ainda episódios mais violentos, como quando um carro da polícia foi contra manifestantes.

Um dos episódios mais explícitos de violência policial ocorreu quando a polícia bloqueou a circulação de mais de 250 manifestantes, atacando-os com bastões e gás pimenta. A ação foi justificada com a ordem de recolhimento de de Blasio, que tinha sido feita minutos antes, não tendo sido dado aos manifestantes tempo para dispersar. Segundo a Human Rights Watch, várias pessoas foram hospitalizadas e mais de 60 ficaram feridas na sequência do ataque. A organização descreveu o ocorrido como uma violação clara e não provocada do direito internacional relativo aos direitos humanos.

Só no período compreendido entre maio e junho terão sido detidas mais de duas mil pessoas durante as manifestações contra o racismo e a brutalidade policial.

"O Departamento [de Polícia] caiu em vários erros e omissões que certamente aumentaram a tensão e contribuíram para a perceção de que o departamento, em vez de facilitar, estava a suprimir a primeira emenda [da Constituição dos Estados Unidos], que prevê o direito às liberdades de reunião e expressão", acrescenta o documento.

Na sequência da divulgação deste relatório, o “mayor” da cidade reagiu ao relatório, pedindo desculpa por "não ter feito melhor". Porém, manteve o seu apoio e defesa do desempenho de Dermot F. Shea, chefe da polícia de Nova Iorque.

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