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“Acabou o tempo de Portugal ser a cobaia da Comissão Europeia”

A hipótese em aberto das sanções a Portugal exige um consenso de todo o país para rejeitar a humilhação, defendeu a deputada bloquista Mariana Mortágua.
Foto Paulete Matos

Os ministros das Finanças europeus deram seguimento à recomendação da Comissão que atesta o incumprimento das metas orçamentais em 2015, mantendo aberta a hipótese da aplicação de sanções a Portugal e a Espanha.

Para a deputada Mariana Mortágua, o governo só pode rejeitar as sanções, usando todos os meios ao seu dispor. “O mais importante é que o país se una para conseguir contrariar e impedir esta aplicação de sanções que é injusta e humilhante”, defendeu Mariana Mortágua, lembrando que essa eventual decisão “é discricionária: vários países incumpriram com as regras que Portugal incumpriu e nunca foram sancionados. É um ataque a Portugal, é um ataque às pessoas que sofreram em Portugal, é uma humilhação para o país que nós não podemos aceitar”.

“Não podemos aceitar que depois de quatro anos de experiência radical em Portugal, venha agora a Comissão Europeia sancionar um país que lhe obedeceu cegamente, porque teve um governo que infelizmente não foi capaz de defender os portugueses e as pessoas que vivem neste país”, prosseguiu a deputada do Bloco de Esquerda, acusando a Comissão Europeia de ter perdido a credibilidade e querer agora “usar Portugal apenas para reforçar uma autoridade que está a perder por todas as decisões erradas que tomou no passado e que está a tomar no presente”.

"Sanção zero é uma farsa e uma humilhação ao país"

"Eu penso que acabou o tempo de Portugal ser a cobaia da Comissão Europeia", declarou Mariana Mortágua aos jornalistas. Questionada sobre a hipótese da aplicação de uma “sanção zero”, a deputada respondeu que essa sanção, “embora não tenha efeitos monetários ou pecuniários, é uma humilhação ao país. É a Comissão Europeia a dizer ‘eu estou a sancionar-te apenas para te humilhar’. É uma farsa e é tão inaceitável como qualquer outra forma de sanção”. “Não podemos aceitar a disciplina pela humilhação. Não é assim que a Europa se constrói”, concluiu.

Mariana Mortágua insistiu ainda que o eleitorado deve ser chamado a pronunciar-se em caso de aplicação de sanções. “Se as sanções forem em frente, achamos que é legítimo referendar o mecanismo que está a impor sanções. Se todo o país tem um consenso para rejeitar sanções, então porque é que o país não pode falar sobre o tratado que impõe as sanções?”

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